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Como os distúrbios na França encurralam Macron em seus últimos meses no cargo?

A difícil situação financeira do país limita a capacidade do presidente de conter a insatisfação social.
Como os distúrbios na França encurralam Macron em seus últimos meses no cargo?Gettyimages.ru / Nicolas Economou / NurPhoto

A onda de distúrbios que tomou a França nos últimos dias deixou o presidente Emmanuel Macron sob crescente pressão social e política.

Com as finanças públicas em crise e um Parlamento fragmentado, o presidente tem cada vez menos margem de manobra a 6 meses do fim de seu mandato, informou a Reuters na segunda-feira (19).

Os distúrbios de sábado (17) resultaram em estabelecimentos comerciais saqueados, edifícios incendiados e instituições públicas vandalizadas.

Diferentemente dos protestos dos coletes amarelos, em 2018 e 2019, quando Macron respondeu com concessões de bilhões de euros, a atual situação financeira do país limita sua capacidade de conter a insatisfação popular.

Críticas internas

Até mesmo antigos aliados responsabilizam o presidente pelo impasse político, que atribuem à sua decisão de convocar eleições legislativas antecipadas em 2024.

"O fim deste mandato é uma lenta agonia", afirmou Loïc Kervran, ex-deputado de seu partido, que classificou a dissolução do Parlamento naquele ano como uma decisão absurda que paralisou o país.

Os saques continuaram pela segunda noite consecutiva, levando o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, a anunciar toques de recolher em algumas localidades.

As críticas também vieram de Édouard Philippe, ex-primeiro-ministro de Macron, que cobrou medidas concretas para restabelecer a ordem.

Na segunda-feira (19), o presidente rejeitou o pedido de demissão de seu ministro do Interior, Laurent Nuñez, e determinou uma revisão para identificar possíveis falhas de inteligência e de preparação policial.

A crise também pode beneficiar Marine Le Pen, líder do Reagrupamento Nacional (RN) e um dos principais nomes na disputa presidencial de 2027. Marine Le Pen, por sua vez, se apresentou como uma figura capaz de restabelecer a ordem em meio aos distúrbios, enquanto Macron optou por não declarar estado de emergência.