A Rússia considera fundamental que a Ucrânia tenha um representante legítimo nas negociações, capaz de assumir responsabilidades e tomar as decisões necessárias para pôr fim ao conflito, afirmou nesta terça-feira (20) o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
"Para nós, é importante que ele seja um representante legítimo do poder, disposto a assumir responsabilidades e a tomar as decisões necessárias para pôr fim a esta guerra", afirmou Peskov.
O porta-voz também confirmou que a Rússia espera agendar, nos próximos dias, uma reunião entre o presidente Vladimir Putin e o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff.
Nesta terça, Witkoff se reunirá em Oslo com o líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, e representantes europeus.
Segundo o porta-voz do Kremlin, esses encontros permitem manter "a comunicação contínua entre Washington e Moscou sobre uma ampla gama de questões muito importantes".
"Consideramos cada uma dessas reuniões muito importante. Elas são sempre oportunas e substanciais, e valorizamos muito os esforços de mediação dos negociadores americanos", acrescentou.
O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou em diversas ocasiões que seu país está comprometido em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Ele ressaltou a necessidade de garantir a segurança da Rússia a longo prazo e eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN, considerada uma ameaça por Moscou, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
A proposta russa prevê que Kiev retire completamente suas tropas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, bem como das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares realizadas em 2022, cuja legitimidade é contestada internacionalmente. Moscou também exige que a Ucrânia reconheça esses territórios, além da Crimeia e de Sebastopol, como parte da Federação da Rússia. A proposta prevê ainda a neutralidade, o não alinhamento, a desnuclearização, a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia.