O governo de Javier Milei lançou um novo plano de desligamentos voluntários que poderá retirar até 20 mil servidores públicos da administração federal argentina, de acordo com reportagem do jornal La Nacion. A medida, publicada nesta segunda-feira (19), prevê adesões durante novembro e tem como foco funcionários próximos da aposentadoria.
Desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, cerca de 77 mil postos no setor público foram eliminados. Com o novo programa, o governo pretende aprofundar a redução do funcionalismo, como parte de sua política de ajuste fiscal.
O plano prevê diferentes modalidades de compensação financeira, conforme a idade e o tempo de contribuição. Em um dos casos, servidores de 58 a 63 anos sem contribuições suficientes para se aposentar poderão receber 60% do salário durante três anos. Quem aderir ficará impedido de retornar a cargos públicos por oito anos.
O governo afirma que a iniciativa busca reduzir gastos e eliminar funções duplicadas. Segundo o Ministério da Desregulamentação, cada pedido dependerá da decisão do trabalhador e da aprovação do Estado.
Sindicato contesta medida
A Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) criticou a medida e anunciou protestos. "Não é aposentadoria voluntária, é demissão extorsiva. Não existe vontade quando a opção é assinar ou ficar na rua sem emprego e sem plano de saúde", afirmou Rodolfo Aguiar, secretário-geral da entidade.
O sindicato convocou uma mobilização para quarta-feira (21), às 17h, em frente à residência presidencial de Olivos. Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) indicam que a administração pública nacional, as empresas e as sociedades estatais somavam 269.025 funcionários em agosto, queda de 5,8% em relação ao mesmo mês de 2025.