VÍDEOS: 'Impotência e fraqueza' — Macron conterá onda de protestos fora de controle na França?

"A União Europeia está mergulhando em uma crise muito grave", afirmou o especialista Dmitry Suslov à RT.

O presidente da França, Emmanuel Macron, deve apostar em esperar que os protestos violentos que abalaram o país nas últimas semanas percam força por conta própria, avaliam especialistas consultados pela RT.

No domingo (18), Macron prometeu agir com firmeza contra os responsáveis pelos distúrbios que atingiram diversas cidades. "Quem destruiu deve pagar. Quem saqueou deve devolver o que roubou", afirmou em uma mensagem à nação publicada no X, na qual também exigiu que aqueles que tentaram "derrubar a República" respondam por seus atos.

"Ao mesmo tempo, a polícia adotará medidas rigorosas, mas isso provocará uma radicalização ainda maior dos protestos. A continuidade do uso de medidas duras representa, de fato, um risco de crise política muito grave para Paris. Tudo isso afetará de forma extremamente negativa não apenas a popularidade de Macron, mas também a de todo o atual grupo que está no poder na França", avaliou Dmitry Suslov, vice-diretor do Centro de Estudos Europeus e Internacionais Integrados da Escola Superior de Economia da Rússia.

Segundo o cientista político Vladimir Olenchenko, a dimensão dos protestos na França demonstra que eles têm caráter nacional.

"Isso significa que se trata da insatisfação da maioria da população com a ordem vigente na França e com sua política interna. Consequentemente, a população francesa, assim como qualquer outra, não é uma corrente elétrica que possa ser desligada com um simples interruptor", declarou o analista.

Para Olenchenko, devido às decisões equivocadas das autoridades do país europeu, a situação já assumiu um caráter revolucionário.

"Trata-se da impotência e da fraqueza das autoridades francesas, que levaram o país a uma situação em que os protestos assumiram a forma de saques e destruição. E essas manifestações violentas certamente continuarão, o que, sem dúvida, levará a uma crise política na França. Ao mesmo tempo, poderemos avaliar com clareza as consequências políticas dos atuais distúrbios em abril do próximo ano, quando serão realizadas as eleições presidenciais francesas", afirmou ele.

A dimensão dos protestos na França, que já se espalharam também para outros países europeus, indica um profundo mal-estar social que atinge não apenas os jovens, mas também setores mais amplos da população da União Europeia, explica Suslov.

"Tudo isso aponta para uma insatisfação social muito grave com a política das atuais autoridades. Isso demonstra que o rumo político adotado pelos dirigentes da França e de vários outros países da União Europeia, onde também eclodiram distúrbios, chegou a um beco sem saída. Eles não conseguem encontrar um novo modelo de desenvolvimento econômico. Além disso, ao perderem o acesso aos recursos energéticos russos baratos, destruíram o modelo de desenvolvimento anterior. E, na situação atual, em que a insatisfação social atingiu um nível crítico, a Europa não pode continuar falando em cortar os gastos sociais em favor da militarização", observou Suslov.

O especialista acrescentou que uma nova redução dos gastos sociais representa um risco de explosão social.

"Além da militarização, a questão do financiamento da Ucrânia também se coloca de forma extremamente urgente, uma vez que os orçamentos da França e de outros países da União Europeia também enfrentam uma carga adicional por causa disso. A União Europeia está mergulhando em uma crise muito grave", concluiu Suslov.