Os data centers são hoje um dos raros temas capazes de unir diferentes correntes da política americana, afirmou John Prideaux, apresentador do podcast Checks and Balance, da revista The Economist.
No episódio do dia 16 de outubro, jornalistas da revista observaram que a oposição a essas instalações une democratas e republicanos às vésperas das eleições de meio de mandato.
Em campanha, candidatos dos dois partidos acusam uns aos outros de favorecer as big techs.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown acusa o senador republicano John Husted de atrair investimentos com isenções fiscais enquanto as contas de luz dos eleitores sobem.
Em Wisconsin, o republicano Tom Tiffany ataca o democrata David Crowley com o slogan: "A big tech ganha. Wisconsin paga".
Já no Texas, o governador Greg Abbott, que comemorava a instalação de centros de dados em 2025, pediu uma pausa nos projetos para avaliar o consumo de energia e água.
Em Ohio, um pesquisador constatou que a revolta vai além do barulho, do alto consumo de água, riscos ambientais e das contas de luz, "passavam direto para a corrupção".
Possível consenso?
Prideaux aponta duas possíveis explicações para a insatisfação. A primeira é que o problema pode ser resolvido com regras e medidas regulatórias: mais da metade dos estados americanos já exige que as empresas arquem com os custos adicionais de energia, segundo Shashank Joshi, chefe da sucursal da revista em Washington.
A segunda explicação é mais profunda: os americanos desconfiam das elites e temem uma tecnologia que parece difícil de controlar.
Nesse cenário, barrar os centros de dados seria uma forma de pressionar as empresas.
No entanto, o colunista James Bennet acredita que as comunidades conseguirão negociar com elas, mas duvida que os Estados Unidos saibam lidar com a ansiedade provocada pela inteligência artificial.