
Por que a pressa da Europa em romper acordo russo-americano sobre diesel pode custar caro à Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta fazer concessões econômicas à Rússia em uma iniciativa para retomar as negociações de paz com Moscou.
Enquanto isso, o tempo está se esgotando para encerrar o conflito em termos aceitáveis para a Europa e a Ucrânia, alerta Zachary Paikin, pesquisador do Instituto para a Paz e a Diplomacia.
"Não devemos perder de vista o panorama geral antes que seja tarde demais", adverte ele, informou o Responsible Statecraft na sexta-feira (16).

Ele destaca o anúncio feito por Trump em 9 de outubro sobre o acordo para o fornecimento de diesel russo.
Segundo o presidente americano, a Rússia concordou em fornecer imediatamente mais de 300 mil toneladas aos Estados Unidos e ao restante do mundo, outras 500 mil toneladas em novembro e mais 1 milhão de toneladas logo depois.
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Diante disso, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a suspensão temporária das sanções às entregas de diesel russo até as 00h01, no horário da Costa Leste dos EUA, de 7 de abril de 2027.
Por sua vez, o vice-primeiro-ministro russo, Aleksandr Novak, anunciou que a Rússia começará a suspender imediatamente a proibição das exportações de diesel, antecipando-se aos prazos inicialmente previstos.
Ele também manifestou a disposição de Moscou para coordenar ações futuras com o objetivo de tornar o mercado mais previsível e estável.
Já o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou na quinta-feira (15) que o diesel russo já começou a chegar aos mercados globais, o que poderia ajudar a estabilizar a situação diante da alta dos preços dos combustíveis.
"A esperança não é uma estratégia"
Na avaliação de Paikin, o acordo terá impacto limitado sobre o consumo dos Estados Unidos e os preços mundiais. "Mais importante ainda são as repercussões do acordo nas negociações para pôr fim ao conflito, que continuam incertas", afirma.
"Por um lado, aqueles que argumentam que o acordo representa um relaxamento inaceitável da pressão sobre a Rússia têm poucas evidências para sustentar a alegação de que aumentar a pressão sobre Moscou trará resultados. [...] A Rússia ainda não parece estar à beira de um colapso econômico total. Aqueles que esperavam que as sanções obrigassem Moscou a mudar de rumo precisam finalmente compreender que a esperança não é uma estratégia. Aumentar a pressão sobre a Rússia não é uma solução milagrosa para pôr fim ao conflito", observa.
O tempo está se esgotando para Kiev
O especialista também argumenta que os acordos econômicos não substituem a necessidade de enfrentar problemas políticos e de segurança de longa data, que deram origem ao conflito.
"O próprio conflito tem raízes em décadas de visões conflitantes sobre quem deve estabelecer as regras da segurança europeia e como isso deve ser feito", lembra.
Ele alerta que, com o avanço dos partidos de oposição na França e na Alemanha, Kiev poderá enfrentar dificuldades para negociar o futuro da ajuda europeia.
"As consequências para o esforço militar da Ucrânia podem ser devastadoras", afirma.
"A esta altura, deveria estar claro que, nos últimos meses, o rumo do conflito não mudou a favor da Ucrânia. [...] Os europeus não podem desperdiçar aquela que talvez seja a última oportunidade de a Ucrânia alcançar um resultado digno", conclui.


