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'Super El Niño' ameaça provocar escassez de produto essencial

Analistas reportam que o Brasil produziu 40% menos açúcar durante a primeira quinzena de setembro em relação ao período anterior.
'Super El Niño' ameaça provocar escassez de produto essencialGettyimages.ru

O fenômeno climático do "Super El Niño" na América Latina desponta como um dos fatores que podem influenciar os mercados internacionais de matérias-primas ao longo de 2027, especialmente no setor agrícola. Entre os produtos mais expostos está o açúcar, cujos preços começam a refletir a preocupação com as alterações meteorológicas e seus possíveis efeitos sobre a produção e o abastecimento mundial.

Os contratos futuros de açúcar bruto negociados na Bolsa Intercontinental (ICE) ultrapassaram a marca de 20 centavos de dólar por libra-peso (cerca de 454 gramas) nos dias 5 e 6 de outubro, atingindo patamares entre 20,6 e 20,8 centavos — o nível mais alto em 19 meses.

O movimento deve-se ao medo de um El Niño mais intenso, que tem contribuído para impulsionar as cotações, em um cenário também marcado por dificuldades logísticas e alterações climáticas que afetam outros mercados agrícolas.

No Brasil, o principal produtor de açúcar da América Latina, chuvas recordes — ou próximas a recordes — registradas em setembro na região Centro-Sul prejudicaram as atividades nos canaviais.

Analistas estimam que a produção brasileira de açúcar caiu mais de 40% na primeira quinzena de setembro em relação ao período anterior, devido a inundações nos campos e problemas logísticos, que reduziram a moagem e atrasaram os embarques.

"Diante das chuvas recordes registradas em setembro [no Brasil] e da previsão de mais precipitações ao longo de outubro, o mercado parece convencido de que a produção de açúcar ficará bem abaixo das estimativas", afirmaram os analistas da Green Pool.

Os riscos também se estendem à Índia e à Tailândia, dois dos principais produtores mundiais, com vistas à safra 2026-2027. Na Índia, há preocupações quanto ao rendimento dos canaviais no estado de Maharashtra, enquanto a produção tailandesa pode ficar abaixo das previsões caso os períodos de seca se intensifiquem.

A incerteza em relação ao volume de chuvas e aos níveis dos reservatórios aumenta a pressão sobre as perspectivas de abastecimento.

Alta nos preços

A evolução dos preços agrícolas já se reflete nos indicadores internacionais. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), publicados em 2 de outubro, o índice mundial de preços dos alimentos aumentou 1,5% em setembro e ficou 5,8% acima do nível registrado um ano antes.

No caso do açúcar, o índice subiu 6,1% no mês, acumulando o terceiro aumento consecutivo e situando-se 14,7% acima do valor registrado há um ano, devido às perspectivas de uma menor oferta para esta temporada. Com esse desempenho, o indicador atinge seu nível mais alto desde abril de 2025.

As previsões meteorológicas para outubro indicam chuvas acima da média nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar no Brasil. Caso essas condições persistam, poderão prolongar as dificuldades de acesso aos canaviais e concentrar as atividades de colheita em um período mais curto, reduzindo o volume total de açúcar recuperável. Além disso, uma eventual confirmação de cortes na produção na Índia ou na Tailândia poderia restringir ainda mais o equilíbrio entre a oferta e a demanda global, favorecendo novas altas nos preços.

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