O Ministério Público de Roma abriu na sexta-feira (16) uma investigação contra o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, e outros 12 altos funcionários por supostos atos de tortura, sequestro, lesões corporais, roubo e danos materiais durante a detenção de ativistas que tentavam levar ajuda humanitária a Gaza a bordo da flotilha Global Sumud, informou a agência Reuters.
O caso teve início a partir de denúncias feitas por 50 cidadãos italianos detidos durante duas missões da flotilha, em 2025 e 2026. Entre os investigados está também o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir.
Segundo o Ministério Público, os participantes da primeira missão relataram agressões físicas, ameaças de morte, insultos e acusações de terrorismo. Já os detidos na segunda operação descreveram espancamentos na escuridão, bem como o uso de armas de choque e balas de borracha. Os ativistas relataram pelo menos 15 casos de violência sexual, incluindo estupro.
"Apoiando com orgulho" os soldados israelenses
A primeira flotilha partiu de Barcelona em setembro de 2025, com 42 embarcações e 462 ativistas, enquanto a segunda zarpou em abril de 2026. As forças israelenses interceptaram ambas as missões em águas internacionais e detiveram centenas de participantes, que foram posteriormente deportados.
A investigação foi ampliada depois que, em junho, promotores italianos abriram um processo contra o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir. A autoridade minimizou a notícia e afirmou que continuaria "apoiando com orgulho" os soldados israelenses.
Roma solicitou, então, assistência jurídica a Israel para esclarecer os fatos e determinar responsabilidades, embora não tenha informado se recebeu uma resposta. Caso considere que existem fundamentos suficientes, o Ministério Público poderá solicitar que os investigados sejam levados a julgamento.