O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, questionou a denúncia de Heidi Levine, fotojornalista do jornal americano The Washington Post, que afirmou ter sido brutalmente espancada por colonos israelenses na sexta-feira (16), perto de Abu Falah, na Cisjordânia ocupada.
Por meio de um comunicado, o gabinete do premiê colocou em dúvida o ataque — ocorrido durante uma onda de distúrbios que deixou pelo menos 54 palestinos feridos —, afirmando que os fatos sobre a "suposta agressão" não estão claros e que "persistem sérias dúvidas".
Netanyahu afirmou que a correspondente foi apenas "derrubada e ajudada imediatamente a se levantar" em meio a um confronto entre "cerca de 200 árabes e ativistas de extrema-esquerda" e aproximadamente 40 jovens israelenses. Embora o texto condene formalmente a violência e peça uma investigação sobre quem a iniciou, ressalta que o governo não permitirá que o incidente seja usado para "demonizar os residentes judeus que respeitam a lei" na Cisjordânia.
"Não paravam de me chutar"
A versão oficial entra em conflito direto com os vídeos divulgados nas redes e com a reportagem do The Washington Post. Segundo o jornal, "dezenas de colonos israelenses mascarados" incendiaram pomares e apedrejaram camponeses palestinos que colhiam azeitonas, para, em seguida, perseguir a imprensa.
Levine foi alcançada, derrubada e teve suas câmeras e seu telefone tomados. Imagens captadas por outro repórter mostram os agressores golpeando-a com violência enquanto ela estava no chão. "Eles não paravam de me chutar; fizeram isso umas 50 vezes", relatou a fotojornalista, que acabou sendo resgatada por colegas e levada por paramédicos palestinos. No hospital, constatou-se que ela apresentava lacerações por todo o corpo e uma costela quebrada, além de ter precisado passar por uma cirurgia em um dos dedos.
O blogueiro Andrey Khrzhanovskiy, autor de um dos vídeos da agressão, denunciou que os agressores se sentiram encorajados após a chegada das tropas israelenses, as quais lançaram gás lacrimogêneo contra os palestinos sem deter os agressores. "O ataque terrorista de hoje e o espancamento de Heidi Levine não teriam sido possíveis sem a cooperação das FDI com os colonos", afirmou ele em sua conta no X.
Por sua vez, Jasper Nathaniel, um dos jornalistas que ajudou Levine, disse que conseguiu chegar até ela graças aos jovens palestinos, que "deram cobertura com pedras contra colonos e soldados armados com metralhadoras e gás lacrimogêneo".