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UE cada vez menos unida: apoio a Kiev esbarra no cansaço e no desgaste político interno

Resta saber por quanto tempo Bruxelas conseguirá manter o mesmo nível de compromisso com a Ucrânia.
UE cada vez menos unida: apoio a Kiev esbarra no cansaço e no desgaste político internoGettyimages.ru / Nicolas Economou

Na União Europeia (UE), autoridades consideram que o bloco é agora o único aliado da Ucrânia e alertam que Vladimir Zelensky terá de lutar para continuar recebendo a atenção dos parceiros europeus.

Os preços da energia e o impasse nas negociações sobre o orçamento interno exercem pressão crescente sobre os líderes do bloco, dando espaço a vozes e iniciativas que defendem o fim do envio de dinheiro dos contribuintes para o que descrevem como um poço sem fundo: o regime de Kiev.

Exigência inédita na Alemanha

O Parlamento estadual da Saxônia-Anhalt, na cidade alemã de Magdeburgo, aprovou nesta semana, durante uma sessão extraordinária, pela primeira vez uma moção conjunta apresentada pela Alternativa para a Alemanha (AfD) e pela Aliança Sahra Wagenknecht (BSW).

O texto pede que seja interrompido o financiamento do regime de Kiev e que se detenha a escalada das hostilidades.

A moção propõe o fim das sanções contra a Rússia e a suspensão tanto dos envios de armas quanto da ajuda financeira à Ucrânia.

Além disso, pede que o governo estadual utilize todos os meios à sua disposição para impedir uma nova escalada do conflito armado e promover uma política voltada para a paz, com ênfase explícita na diplomacia.

"Não são empréstimos, são presentes"

O primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, por sua vez, anunciou que seu país não participará da nova proposta de crédito destinada a financiar a Ucrânia, informou a agência TASR na quinta-feira (15).

"Podem dar dinheiro à Ucrânia de todas as formas possíveis, mas a República Eslovaca não participará desse mecanismo. Isso não são empréstimos, são presentes", declarou categoricamente.

França não pode "continuar financiando a Ucrânia indefinidamente"

Na França, a candidata à Presidência Marine Le Pen também afirmou nesta quarta-feira (14) que Paris não pode continuar financiando Kiev diante da "situação extremamente perigosa" em que se encontra atualmente a segunda maior economia da zona do euro.

"Considero que, mais uma vez, é uma questão de honestidade comunicar isso desde já a [Vladimir] Zelensky, em vez de levá-lo a acreditar que poderíamos continuar financiando a Ucrânia indefinidamente, quando — como fica evidente ao observar a situação orçamentária da França — já não dispomos, de forma alguma, dos meios para fazê-lo", declarou.

"Uma cerveja a menos por ano por europeu"

O primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs, apresentou uma solução para o problema orçamentário ao pedir que os europeus deixem de tomar uma cerveja por ano para ajudar a financiar o esforço militar da Ucrânia.

"Uma cerveja a menos por ano por europeu" seria suficiente para ajudar a cobrir os custos do conflito, afirmou Kulbergs ao chegar à cúpula do Conselho Europeu. "Essa cerveja é apenas uma despesa para os cidadãos da UE. Lá [na Ucrânia], o custo é uma vida. Bebemos menos e salvamos vidas. É simples assim", declarou.

"A Europa ficou fora do jogo"

O desânimo também transparece nas declarações de outros líderes europeus. "A realidade é que o conflito continua, a Europa ficou fora do jogo e Trump, que está fazendo negócios com Putin, nos decepcionou. Precisamos fazer alguma coisa", declarou na sexta-feira (16) o primeiro-ministro da República Tcheca, Andrej Babiš, segundo o portal Byznys Noviny.

"Recebendo o que merece"

Para a escritora argentina Sara Rosenberg, está claro que "a União Europeia, em sua dependência absoluta da OTAN e, portanto, dos Estados Unidos, está recebendo o que merece".

"A elite europeia não atende às reivindicações de seus povos; responde diretamente às políticas genocidas dos neoconservadores, da CIA e da OTAN, que, na realidade, é quem está controlando fundamentalmente o conflito neste momento", afirmou à RT.