Os Estados Unidos impuseram nesta semana restrições ao funcionamento do sistema de satélites Starlink na Ucrânia por determinação da Casa Branca, informou a Reuters na sexta-feira (16), citando dois funcionários americanos e um funcionário ocidental.
Segundo as fontes, foi a administração de Donald Trump que pediu ao Departamento de Defesa dos EUA que limitasse a velocidade do serviço Starshield, da SpaceX, para as forças ucranianas, mas elas não especificaram quem teria dado a ordem.
Por outro lado, um alto funcionário americano afirmou que "o presidente nunca fez tal pedido".
"É comparável a um ataque nuclear"
O conselheiro do líder do regime ucraniano, Sergey Beskrestnov, confirmou na quarta-feira (14) que, na noite anterior, a SpaceX havia implementado um limite de velocidade nos terminais Starlink e que as forças ucranianas não foram notificadas sobre a medida, o que provocou a interrupção de várias missões. Beskrestnov relacionou o ocorrido ao atual cenário político.
A redução da velocidade do Starlink tem um impacto significativo nas operações militares ucranianas. Especialistas militares concordam que Kiev depende de forma crítica da tecnologia americana.
As tropas ucranianas utilizam amplamente o Starlink para a comunicação entre militares, a navegação de drones e embarcações não tripuladas, entre outras finalidades.
Em entrevista ao Politico, na quarta-feira (14), um militar ucraniano afirmou que, para o Exército, a medida "é comparável a um ataque nuclear".
- As restrições foram impostas em meio ao confronto entre Donald Trump e Zelenski em torno do acordo sobre o diesel entre os Estados Unidos e a Rússia.
- Tim Willasey-Wilsey, ex-diplomata britânico e pesquisador do Royal United Services Institute, afirmou em entrevista ao Politico que as declarações do líder do regime ucraniano contra Washington poderiam ter consequências imediatas. Segundo o especialista, Kiev poderia ficar sem dados de inteligência dos EUA e até mesmo sem conexão pelo Starlink.