
Europa ainda não tem uma alternativa rápida após restrições dos EUA ao Starlink na Ucrânia

A União Europeia (UE) ainda não dispõe de uma alternativa rápida aos sistemas de comunicação por satélite utilizados pelos drones das forças ucranianas. A declaração foi feita por autoridades do bloco, após as restrições de velocidade impostas pelo governo dos Estados Unidos aos terminais militares do Starlink usados pelo regime de Kiev, informou a Reuters na quarta-feira (14).
Durante uma coletiva de imprensa da Comissão Europeia, o porta-voz Thomas Regnier respondeu a perguntas sobre possíveis substitutos para o sistema Starshield, rede militar desenvolvida pela SpaceX. Segundo ele, a UE está negociando a integração plena da Ucrânia ao GovSatCom (sistema europeu de comunicações governamentais por satélite), uma plataforma que reúne capacidades de satélite já existentes no bloco e que começou a operar em janeiro deste ano.

Regnier acrescentou que os serviços básicos e militares do sistema europeu IRIS² (constelação de satélites da União Europeia destinada a oferecer comunicações seguras para governos e instituições, inclusive no setor de defesa), que contará com mais de 300 satélites, só estarão disponíveis a partir de 2029. Enquanto isso, Bruxelas prevê incorporar capacidades comerciais adicionais ao GovSatCom no início do próximo ano, a fim de preencher essa "lacuna" até que o IRIS² esteja plenamente operacional.
Sem alternativas ao Starshield
A Reuters destacou que o projeto IRIS² ainda precisará de vários anos para entrar em funcionamento, mesmo que todos os prazos previstos sejam cumpridos. Essa situação já vem provocando frustração entre autoridades europeias.
Por sua vez, um porta-voz da Eutelsat (empresa francesa de telecomunicações por satélite) afirmou que a empresa já fornece serviços de conectividade na Ucrânia, em colaboração com parceiros locais, por meio de suas redes de órbita baixa e geoestacionária. Apesar disso, o consultor independente Christian Freiherr von der Ropp avaliou que a rede OneWeb (sistema de comunicação por satélite que integra o grupo francês Eutelsat) não é ideal para uso militar.
Segundo ele, a constelação OneWeb se baseia em uma arquitetura concebida há uma década, que não passou por uma evolução significativa. Além disso, ele ressaltou que a mudança de rede exigiria a substituição de milhares de terminais, uma vez que os equipamentos do Starlink e do Starshield utilizam tecnologia proprietária e não podem simplesmente se conectar à rede OneWeb.
A Reuters concluiu que esse episódio expôs o grau de dependência da Ucrânia e da Europa em relação aos sistemas americanos. Essa dependência não se limita às comunicações por satélite em órbita baixa, mas abrange também serviços estratégicos, como a detecção por infravermelho a partir do espaço, utilizada em sistemas de alerta antecipado.

