Ministério Público da Espanha pode investigar Julio Iglesias por crimes sexuais e trabalho forçado

Após arquivar denúncia, Ministério Público agora considera que o Tribunal Nacional pode analisar a denúncia de duas ex-trabalhadoras contra o cantor.

O Ministério Público da Espanha reverteu seu entendimento e passou a defender que o Tribunal Nacional é competente para investigar a denúncia por agressão sexual e outros crimes contra o cantor Julio Iglesias, apresentada por ex-funcionárias de suas mansões no Caribe, informou imprensa espanhola na quarta-feira (14).

A mudança ocorre nove meses após o arquivamento da denúncia, quando a procuradora Marta Durántez concluiu que os tribunais espanhóis não tinham jurisdição sobre o caso, por os fatos terem ocorrido no exterior e não haver vínculos territoriais ou pessoais com a Espanha.

A decisão foi supervisionada por Beatriz Sánchez Álvarez, fiscal de Sala Coordenadora de Trata de Pessoas e Estrangeiria da Fiscalía General del Estado, que endossou a competência dos tribunais espanhóis. 

As duas funcionárias trabalharam em 2021 nas mansões de Iglesias na República Dominicana e nas Bahamas. Elas acusam o cantor de tráfico de pessoas para fins de trabalho forçado e servidão, crimes contra a liberdade sexual, violações de direitos trabalhistas, lesões corporais e tratamento degradante.

Uma das trabalhadoras descreveu condições semelhantes à de confinamento.

"Eu estava totalmente convencida de que estava sendo explorada no trabalho, porque também contratavam mulheres que moravam na Espanha, com salários melhores e jornadas de trabalho menores”, afirmou.