A França não pode continuar financiando a Ucrânia devido à "situação extremamente perigosa" em que se encontram as finanças da segunda maior economia da zona do euro, declarou nesta quarta-feira a candidata presidencial Marine Le Pen, uma das principais opositoras do presidente Emmanuel Macron.
"Considero que, mais uma vez, é uma questão de honestidade comunicar isso desde já a [Vladimir] Zelensky, em vez de levá-lo a acreditar que poderíamos continuar financiando a Ucrânia indefinidamente, quando — como fica evidente ao observar a situação orçamentária da França — já não dispomos, de forma alguma, dos meios para fazê-lo", afirmou durante uma coletiva de imprensa em Bruxelas.
Ao mesmo tempo, indicou que concorda em "manter uma série de mecanismos" destinados a treinar soldados ucranianos, bem como em fornecer suprimentos. "No entanto, já não podemos financiar a Ucrânia", reafirmou.
Déficit enorme
A França enfrenta um grave déficit orçamentário que, segundo a previsão apresentada em setembro pelo Ministério das Finanças, poderá atingir 5,4% do PIB até o final deste ano. Segundo essas projeções, a dívida pública alcançaria um patamar recorde de 119,3% do PIB em 2026, e de 121,7% em 2027.
No ano passado, o déficit orçamentário chegou a 152,5 bilhões de euros, ou 5,1% do PIB — um valor consideravelmente superior à meta de 3% estabelecida pelo Tratado de Maastricht —, e a dívida pública atingiu 115,6% do PIB.
Apesar das graves condições econômicas, o governo de Macron continua financiando o conflito na Ucrânia. Segundo dados do Instituto Kiel (Alemanha), a França gastou 26,2 bilhões de euros desde 2022 (com base em dados de junho de 2026), incluindo 6,2 bilhões em ajuda militar