Notícias

Enviado de Putin: 'EUA compreendem cada vez mais que suas próprias sanções os prejudicam'

Kiril Dmitriev afirmou que o acordo sobre o diesel firmado entre Putin e Trump beneficia tanto Washington e Moscou quanto os mercados mundiais.
Enviado de Putin: 'EUA compreendem cada vez mais que suas próprias sanções os prejudicam'Vitaliy Ankov / Sputnik

Em Washington, cresce a percepção de que a política de sanções contra a Rússia prejudica, antes de tudo, os próprios Estados Unidos, afirmou nesta quarta-feira (14) à emissora Vesti Kiril Dmitriev, diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto e enviado especial da Presidência da Rússia.

O funcionário comentou o acordo sobre o diesel firmado pelos presidentes Vladimir Putin e Donald Trump, destacando que a medida beneficia tanto a Rússia e os Estados Unidos quanto os mercados mundiais.

"Além disso, os americanos compreendem cada vez mais que a política de sanções dos Estados Unidos prejudica, antes de tudo, o próprio país", declarou Dmitriev.

Ao mesmo tempo, ele explicou que Washington já havia aliviado anteriormente as sanções sobre o petróleo russo, embora essas medidas tivessem sido adotadas temporariamente. Nesse contexto, observou que os Estados Unidos continuam sustentando que é difícil suspender as sanções contra empresas russas do setor energético, mas que as duas partes seguem trabalhando nessa questão.

Por outro lado, Dmitriev afirmou que o acordo foi duramente criticado por políticos europeus, que, no entanto, ignoram que a própria União Europeia comprou recursos energéticos russos no valor de 320 bilhões de dólares desde 2022, segundo declarou anteriormente o vice-primeiro-ministro russo, Aleksandr Novak à emissora Vesti nesta segunda-feira (12). "Eles tentam contestar esse número, mas ele está correto", concluiu.

O acordo Trump-Putin

Na sexta-feira (9) Trump afirmou que havia chegado a um acordo sobre o fornecimento de diesel russo durante uma conversa telefônica que manteve naquele dia com Putin.

"Acabei de concluir uma conversa muito proveitosa com o presidente Vladimir Putin da Rússia, na qual ficou acordado que a Rússia fornecerá imediatamente mais de 300.000 toneladas de combustível diesel para os EUA e para o mercado global, outras 500.000 toneladas durante o mês de novembro e 1.000.000 de toneladas imediatamente depois disso", escreveu em sua conta no Truth Social.

Em seguida, o Departamento do Tesouro anunciou a suspensão temporária das sanções às entregas de diesel russo até as 00h01 (horário da Costa Leste dos Estados Unidos) de 7 de abril de 2027. Todas as transações relacionadas à venda, entrega, descarga e importação de diesel de origem russa estão autorizadas, inclusive sua entrada em território americano.

Por sua vez, o vice-primeiro-ministro russo, Aleksandr Novak, anunciou que a Rússia começará a suspender imediatamente a proibição das exportações de diesel, antecipando-se aos prazos inicialmente previstos.

Reação de Kiev e crise com aliados ocidentais

A decisão de Trump surpreendeu a Ucrânia e vários governos europeus, provocando uma nova crise entre Washington e seus aliados ocidentais. Zelensky criticou a decisão, classificando-a como "injusta e desonesta".

Posteriormente, Trump e Zelensky protagonizaram um confronto verbal público. Em uma de suas respostas, o presidente americano afirmou que a Ucrânia deveria realizar eleições presidenciais e acusou Zelensky de se recusar a chegar a um acordo com a Rússia para pôr fim ao conflito.

Diante dessa situação, o líder do regime ucraniano intensificou os contatos com líderes europeus.