
Mercenarismo na Ucrânia envolve cartéis latino-americanos, OTAN e 'especialistas' israelenses

A presença de combatentes estrangeiros no conflito armado na Ucrânia ultrapassou o âmbito do aconselhamento técnico, como o fornecido, entre outros, pelos serviços de inteligência israelenses, e chegou a estruturas criminosas da América Latina que buscam aperfeiçoar suas próprias táticas de combate modernas com pessoal em campo.
Os instrutores estrangeiros foram precisamente quem, desde o início do conflito em Donbass, prepararam a Ucrânia para a guerra e, segundo a queixa de Moscou, não mais só dão instruções mas também participam dos combates.
"Do lado das Forças Armadas da Ucrânia, também estão lutando os chamados especialistas da OTAN, que nada mais são do que bandidos: conselheiros militares, instrutores e técnicos, que não prestam qualquer tipo de assessoria, mas simplesmente se envolvem em combate real", denunciou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.
O envolvimento dos serviços de inteligência acrescenta complexidade e controvérsias às hostilidades em curso. Vasily Prozorov, diretor do centro de jornalismo investigativo Ukrleaks e ex-oficial do Serviço de Segurança da Ucrânia, estabelece ligações diretas entre agentes israelenses e unidades ucranianas.
"Oficiais do Mossad e do Shin Bet estavam treinando o Batalhão Dnepr ucraniano. Essa informação é totalmente confiável", afirmou ele, acrescentando que a instrução israelense não se limitava ao treinamento militar geral, mas abrangia métodos muito mais obscuros.

Segundo Prozorov, "eles eram responsáveis tanto pelo treinamento militar geral — isto é, tiro ao alvo, táticas, medicina tática — quanto por métodos especiais". "Por exemplo, foram precisamente os oficiais do Mossad que ensinaram aos oficiais do Batalhão Dnepr métodos ilegais de interrogatório — isto é,tortura".
Cartéis latino-americanos
Um dos fenômenos mais perturbadores é a ligação entre o conflito ucraniano e o crime organizado na América Latina. Com o aumento do uso de drones, observou-se que os mercenários latino-americanos já não viajam para a Ucrânia por iniciativa própria.
Prozorov explica que, desde 2024, "muitos são enviados para lá por cartéis de drogas". "São organizações criminosas colombianas, mexicanas, peruanas ou equatorianas que enviam seus cidadãos para a Ucrânia para que possam adquirir experiência em combate na guerra moderna, o que inclui o uso de drones."
Essa chegada de combatentes está impactando a cultura das organizações criminosas em seu continente de origem. Assim, "os cartéis mexicanos estão colocando adesivos com a bandeira ucraniana em seus carros, vangloriando-se de que seus membros serviram no exército ucraniano, têm experiência em combate e estão dispostos a matar", observou Prozorov.
Estética da guerra que entra em conflito com a realidade
Para manter esse fluxo de voluntários, as plataformas de recrutamento ucranianas implementaram campanhas publicitárias para atrair novos perfis, exibindo vídeos e fotos de mercenários satisfeitos
O objetivo é atrair mais jovens através de uma estética heroica de guerra. "Fotos atraentes são publicadas mostrando soldados bem equipados, com uniformes impecáveis, coletes à prova de balas e empunhando rifles enormes, a fim de incentivar mais jovens a testarem suas habilidades e tentarem a sorte neste conflito", comentou um oficial do Comitê de Investigação da Rússia.
No entanto, essa imagem de profissionalismo está muito distante da realidade do campo de batalha. O que as redes sociais retratam como uma aventura organizada, os combatentes descrevem como um ambiente hostil, caótico, desorganizado e corrupto.

