Notícias

Homem viaja mais de 2 mil km por amor e descobre que mulher foi criada por IA

Pedreiro deixou o Maranhão para morar com suposta fazendeira, mas acabou sozinho e sem dinheiro em Belo Horizonte.
Homem viaja mais de 2 mil km por amor e descobre que mulher foi criada por IARedes sociais

O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, viajou mais de 2 mil quilômetros de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte, em Minas Gerais, para morar com uma mulher que conheceu pela internet. Ao chegar à capital mineira, no domingo (11), descobriu que ela não existia e havia sido criada por inteligência artificial (IA). A informação foi publicada pelo UOL.

A mulher, que se apresentava como "Jéssica", aparecia em vídeos nas redes sociais e prometia uma vida a dois em uma fazenda. O perfil utilizava respostas automáticas para interagir com os usuários.

"Às vezes, uma solidão dentro de casa acaba trazendo muito transtorno na vida da gente. Por isso que eu vim atrás dela", contou Edimar à Rádio Itatiaia.

O pedreiro relatou que decidiu deixar Imperatriz após a morte da mãe. "Eu não quero mais ficar em Imperatriz, não gosto de lá. Eu gostava de lá quando minha mãe era viva. Isso minha família toda sabe", desabafou.

Mesmo após ser informado de que Jéssica era uma personagem virtual, Edimar continuou tentando entrar em contato com ela. O trabalhador também questionou a existência de aplicativos capazes de criar esse tipo de conteúdo.

Sem dinheiro

Sem dinheiro e com dificuldades de locomoção devido a um problema na perna, o pedreiro ficou desamparado em Belo Horizonte. Afastado do trabalho pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ele gastou os recursos que tinha com diárias de hotel.

O caso é o terceiro episódio semelhante registrado na capital mineira em menos de seis meses. Em junho, um idoso de Roraima viajou até Belo Horizonte para encontrar uma mulher virtual. Em agosto, outro homem, vindo de Manaus, passou por situação semelhante.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou à Itatiaia que Edimar poderia solicitar assistência ao Serviço de Acolhimento ao Migrante. Após a experiência, o pedreiro afirmou que pretende abandonar as redes sociais. "Nem Instagram, nem Facebook, não quero nenhum... É uma coisa que eu não quero mais de jeito nenhum", declarou.

Destino ao Tocantins

Na terça-feira (13), Edimar conseguiu deixar Belo Horizonte após receber uma passagem de ônibus por meio do Serviço de Atendimento e Acolhimento ao Migrante da prefeitura. O pedreiro, que estava sem dinheiro, decidiu seguir para Araguatins, no Tocantins, a mais de 2,1 mil quilômetros da capital mineira, em vez de retornar a Imperatriz, no Maranhão.

Antes de deixar Belo Horizonte, Edimar alertou outras pessoas para que não viajem em busca de relacionamentos iniciados nas redes sociais. "Não sai de sua cidade, onde você estiver, pra vir nem aqui em Minas Gerais, nem em outro lugar. É isso que eu deixo alerta, viu?", afirmou.

O pedreiro também defendeu a criação de uma lei para impedir a circulação de aplicativos como aquele que o enganou. "Isso aí era pra ter uma lei, pra cortar um aplicativo desse aí", declarou. "Aí cai o idoso, aí cai... Qualquer um cai. Nessas lábias aí, qualquer um cai."

O trabalhador agradeceu pela ajuda recebida e afirmou que poderá voltar a Belo Horizonte. "Mas a qualquer momento eu estou voltando para aí de novo. Mas, quando eu for, agora vai ser de outro jeito", declarou.