Lukashenko denuncia provocação de país da OTAN: 'Mentiras para arrancar dinheiro da UE'

O presidente bielorrusso classificou como "estupidez" as acusações sobre uma suposta invasão armada a partir de seu território e afirmou que Riga quer criar um pretexto midiático para obter benefícios financeiros.

O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, negou categoricamente nesta terça-feira (13) qualquer envolvimento de seu país no recente incidente na fronteira denunciado pela Letônia e acusou Riga de ter encenado uma farsa com fins lucrativos, informa a agência estatal bielorrussa BELTA.

"Operações desse tipo, com incursões no território de um Estado vizinho, são impossíveis sem a aprovação do presidente. Nada parecido foi acordado comigo. Portanto, não aconteceram", afirmou Lukashenko.

Ele declarou ter absoluta certeza disso, pois confia plenamente na cúpula das forças de segurança de Belarus, cuja capacidade de execução, segundo ele, é indiscutível.

As declarações do líder bielorrusso foram uma resposta à denúncia feita em 6 de outubro pelas Forças Armadas Nacionais da Letônia (NBS), segundo a qual indivíduos armados teriam tentado introduzir cerca de 20 migrantes no país a partir do território bielorrusso.

De acordo com o lado letão, após uma primeira tentativa frustrada, homens encapuzados conseguiram entrar, supostamente danificaram um quadro elétrico e roubaram câmeras de videomonitoramento antes de fugir de volta para Belarus.

Rejeitando as acusações, Lukashenko classificou como "estupidez" a narrativa promovida pelas autoridades letãs.

"Não temos absolutamente nada a ver com essa história de que supostamente entramos no território deles — pessoas mascaradas, militares, de que agarramos ou capturamos alguém ou empurramos algum grupo de migrantes para lá. Não dá para inventar uma estupidez maior", enfatizou.

Mentiras para arrancar dinheiro da UE

"Sabemos muito bem — e já fui informado disso — que foram os próprios letões que fizeram tudo isso como pretexto midiático para arrancar dinheiro da União Europeia", declarou o presidente. Ele também denunciou que essas "mentiras" contra Minsk estão se tornando cada vez mais frequentes na imprensa.

Segundo Lukashenko, o verdadeiro motivo dessa campanha é econômico. "Eles precisam de dinheiro. Nem os três Estados bálticos — antigas repúblicas soviéticas — nem a Polônia têm recursos suficientes para satisfazer seus caprichos, sobretudo na área militar", afirmou.

Como exemplo, ele mencionou os elevados gastos de Varsóvia com defesa e ironizou suas prioridades: "Não há lenha para a população, mas eles precisam comprar tanques e outros equipamentos militares", que hoje "não são nada baratos".

Moscou também reage

Em entrevista ao New York Times, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou como "mais um exemplo da absoluta estupidez do governo letão" as declarações de Riga de que Moscou e Minsk estariam incentivando a entrada ilegal de migrantes para aumentar as tensões antes das eleições letãs de outubro.

Moscou tem denunciado que a Europa aterroriza seus cidadãos com uma suposta "ameaça russa", criada pelos próprios países europeus.

Segundo essas declarações, a situação recentemente atingiu outro patamar com o reforço da presença militar perto das fronteiras com Belarus e Ucrânia por parte da Polônia, além do envio de tropas alemãs para a fronteira da Lituânia com a Rússia, entre outras medidas.