A cidade de Tulum, localizada no estado de Quintana Roo, no sudeste do México, às margens do Caribe, registrou uma queda significativa na atividade turística, depois de ter sido considerada um paraíso turístico exclusivo na península de Yucatán.
Nos primeiros sete meses de 2026, sua taxa de ocupação hoteleira caiu 8,99% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Sistema de Informações Turísticas de Quintana Roo (SITUR-Q).
Entre janeiro e julho de 2025, a ocupação hoteleira em Tulum foi de 72,67%, caindo para 63,69% no mesmo período deste ano.
O aeroporto local também registrou uma redução de 20,56% no fluxo de passageiros nacionais e internacionais durante o primeiro semestre de 2026.
Tulum passou de 961.562 turistas entre janeiro e julho de 2025 para 879.229 no mesmo período deste ano. Isso representa 82.333 visitantes a menos, uma queda de 8,56%, informa a Imagen Radio, citando dados do SITUR-Q, na última sexta-feira (9).
Mas o que está acontecendo?
Esse destino de Quintana Roo vem se transformando em uma cidade fantasma, relata o jornal Milenio na terça-feira (13). Segundo a publicação, algumas construções ficaram inacabadas, lojas de departamentos estão fazendo demissões em massa e grandes redes estão fechando suas unidades.
Entre os fatores que contribuíram para essa situação estão os altos custos para turistas e empresas, problemas de mobilidade e de acesso às principais atrações, a presença de sargaço nas praias, além da corrupção no governo municipal e das extorsões praticadas pela polícia.
"É real, não dá para fingir que não está acontecendo: Tulum está enfrentando uma combinação de fatores, a maioria — se não todos — negativos. Cada um deles tem uma dimensão enorme: o sargaço já está presente praticamente o ano inteiro; estamos em meados de outubro e ele continua, continua e continua. É uma situação de desastre ambiental que, evidentemente, está fora do controle das autoridades e dos hoteleiros", reconhece o vereador Eugenio Barbachano, citado pelo Milenio.
Barbachano também mencionou as constantes campanhas de críticas e ataques contra Tulum nas redes sociais.
"Não existe nenhuma promoção institucional; o linchamento nas redes sociais já dura praticamente três anos consecutivos, com ataques constantes no Instagram*, no YouTube, no TikTok, no Facebook e assim por diante, acabando com o destino", declarou.
Por sua vez, a empresária Migdalia Neyer afirma que Tulum precisa de um plano integrado de mobilidade, além de medidas para resolver o problema da extorsão policial contra turistas e trabalhadores. Ela também destacou a questão específica dos guinchos, que removem veículos "por todos os motivos imagináveis".
Empresários e ativistas criaram a associação Tulum Unido, com o objetivo de contribuir para a recuperação do destino. "O que estamos buscando é promover a participação dos cidadãos para corrigir os erros", afirma o empresário Salvador Tejeda.
Enquanto isso, recentemente, o governo federal, por meio do programa Plano Tulum Renasce (Plan Tulum Renace), entregou as primeiras 195 credenciais a prestadores de serviços turísticos do Parque del Jaguar. A iniciativa prevê um espaço fixo para a comercialização de serviços dentro do local. Além disso, os visitantes poderão identificar os prestadores autorizados por meio de um código QR, informa o jornal El Cronista na última terça-feira (6).
*Rede social pertencente à META, classificada na Rússia como organização extremista e proibida em seu território.