
Inspirado em Bukele? Peru proíbe maquiagem, unhas e cabelo pintados em escolas públicas

A presidente do Peru, Keiko Fujimori, causou polêmica ao anunciar, na segunda-feira (12), as novas "diretrizes para a gestão da disciplina escolar". As medidas deverão ser cumpridas em todas as instituições públicas de educação básica, e incluem um rígido código de vestimenta.
"Acreditem em mim, crianças, isso vai ser muito importante ao longo da vida. Temos que entender que existem limites, que existem direitos, mas também obrigações", advertiu a mandatária durante um evento realizado em uma escola de Chaclacayo, distrito localizado em Lima.

"Vocês têm que vir e se preparar de manhã, o que significa pentear o cabelo, os meninos virem com o cabelo curto; é totalmente proibido pintar o cabelo ou usar maquiagem. Todos esses critérios estabelecerão disciplina nas escolas", acrescentou em um discurso que incluiu punições como a expulsão, porque "os mal-educados não vão ficar nas salas de aula".
O ministro da Educação, José Antonio Chang, ampliou as explicações sobre as novas normas. "Estamos dizendo que a apresentação dos jovens e das jovens na instituição de ensino deve ser adequada: não serão permitidos maquiagem, unhas pintadas, cabelos excessivamente longos e pintados", reiterou, ao afirmar que as saias das estudantes deverão ter "um comprimento adequado".
Ele também esclareceu que essas normas valerão obrigatoriamente apenas para as escolas públicas, já que as privadas poderão exercer sua autonomia institucional. "Se um jovem da escola pública quiser pintar o cabelo, pode fazê-lo e pode procurar uma escola privada que aceite essa condição, mas na pública não é permitido", afirmou.
Debate sobre a eficácia da medida
A senadora de oposição Ruth Luque criticou duramente a medida, por considerar que as escolas públicas enfrentam outras emergências que nada têm a ver com a aparência dos estudantes.
"Agora a educação é medida pelo comprimento do cabelo, pela maquiagem ou pelas unhas pintadas? (...) Por que essas regras são propostas apenas para as escolas públicas? Será que existem duas formas distintas de entender a disciplina e os direitos dos nossos estudantes, dependendo da escola que frequentam?", questionou.
"O governo de Keiko Fujimori, sem resposta para a gravidez na infância e na adolescência nem para o bullying, desmonta o Beca 18 e rejeita a ESI (Educação Sexual Integral), mas controla o corpo das estudantes. Zero enfoque de direitos. Preocupante", lamentou a socióloga Marta Martínez, em meio ao intenso debate que se desencadeou nas redes sociais.
"Passou-se uma década e meia se preparando para controlar a altura das saias enquanto a compreensão em leitura está entre as últimas do mundo, o fujimorismo demonstrando sua total incompetência para governar o país", acrescentou outra usuária no X.
Comparação a Bukele
As medidas anunciadas pela presidente do Peru se assemelham às adotadas por seu par de El Salvador, Nayib Bukele, que chegou a proibir um certo tipo de corte de cabelo porque, em sua avaliação, era inspirado em organizações criminosas latino-americanas nos EUA.
No ano passado, o código para os alunos no país centro-americano também incluiu inspeções para garantir que tivessem o uniforme limpo e arrumado, um corte de cabelo adequado, uma apresentação pessoal "correta" e a entrada em ordem, com saudação respeitosa.

