O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, se reúne nesta terça-feira (13) com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para discutir as menções a pelo menos seis ministros da Corte ou seus familiares nas investigações do Banco Master. A informação foi publicada pelo portal g1.
A reunião foi solicitada por Rodrigues, e Fachin requisitou o material reunido pela PF. Em ofício, o presidente do Supremo afirmou que nenhum fato nem ninguém deve ficar fora da apuração.
As investigações também contêm referências a integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Nas últimas semanas, a PF trabalhou para identificar individualmente as citações, que envolvem diferentes graus de possível relação com o caso.
O encontro ocorre em meio à crise interna no Supremo, marcada por divergências entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. A Polícia Federal avalia que a reunião pode ajudar a resolver os impasses com a Corte e permitir a retomada das investigações.
Divisão no Supremo
Nos bastidores, aliados de Moraes e de Mendonça defendem que Fachin encaminhe à Procuradoria-Geral da República (PGR) os elementos reunidos contra todos os citados.
A medida permitiria uma análise técnica dos casos e abriria espaço para novas tentativas de entendimento entre os ministros.
A ala de Moraes, porém, defende que não haja avanços antes do encerramento das eleições. Embora o clima entre os grupos tenha melhorado após o primeiro turno, Moraes e Mendonça continuam sem se falar, assim como Gilmar Mendes e Nunes Marques.
Ligações com Master
A crise começou após a divulgação da contratação do escritório da esposa de Moraes pelo Banco Master, em um contrato de cerca de R$ 130 milhões. Posteriormente, a PF apontou que o ministro foi interlocutor em pelo menos 52 mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, inclusive no dia de sua prisão.
As investigações também trouxeram informações sobre negócios envolvendo Dias Toffoli e fundos ligados ao Master em um resort de sua família no Paraná. O ministro deixou a relatoria do caso e se declarou suspeito para analisar questões da investigação na Segunda Turma do STF.
Também surgiram referências a Nunes Marques, Luiz Fux, André Mendonça e Gilmar Mendes, incluindo contratações de familiares, encontros e possíveis vínculos com Vorcaro. Todos os ministros e familiares citados negam irregularidades ou envolvimento com o banqueiro.