A inteligência artificial (IA) pode transformar o mercado de trabalho brasileiro e aumentar a pressão sobre profissionais que realizam tarefas administrativas, analíticas e repetitivas.
Um estudo publicado em fevereiro de 2026 pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) estima que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estavam em ocupações expostas à IA generativa no terceiro trimestre de 2025, o equivalente a aproximadamente 30% da população ocupada.
Desse total, cerca de 5,2 milhões de pessoas estavam no nível mais elevado de exposição, segundo a análise dos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa Filho, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti, baseada em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A exposição significa que as tarefas desses profissionais podem ser afetadas pela IA, mas não comprova que eles perderão os empregos.
O estudo também identificou diferenças entre grupos da população. A proporção de trabalhadores em ocupações expostas à IA era de 35,4% entre as mulheres, contra 25,2% entre os homens.
A exposição também aumentava conforme o nível de escolaridade, alcançando 42,7% entre trabalhadores com ensino superior completo.
Os pesquisadores ressaltam que a tecnologia pode tanto substituir trabalhadores em determinadas tarefas quanto complementar suas atividades, elevando a produtividade.
Transformação no mercado
Apesar dos riscos, ainda não é possível concluir que a inteligência artificial tenha provocado uma redução geral do emprego formal no Brasil.
Os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, permitem acompanhar admissões, desligamentos e o saldo de vagas com carteira assinada, mas não isolam as demissões causadas pela tecnologia.
O levantamento da FGV aponta, portanto, para uma transformação potencialmente ampla do mercado de trabalho, e não para uma comprovação de que a IA já eliminou milhões de postos.
O desafio será preparar os trabalhadores para as mudanças, ampliar o acesso à qualificação digital e garantir que os ganhos de produtividade não sejam acompanhados pelo aumento das desigualdades.