'Europa não é prioridade': EUA cobram aliados a produzir mais armas diante da escassez nos estoques

O representante americano junto a OTAN afirmou que a Europa ocupa o quarto lugar entre as prioridades de segurança de Washington, depois da segurança nacional, do Hemisfério Ocidental e do Pacífico.

Os Estados Unidos instaram os aliados europeus a expandirem sua própria produção de armamentos para atender à demanda, já que as fábricas americanas estarão em grande parte ocupadas abastecendo suas próprias forças armadas.

"Os Estados Unidos precisam de aliados com capacidade de produção", afirmou Matthew Whitaker, enviado de Washington à OTAN, durante o Fórum de Segurança de Varsóvia na segunda-feira (12).

Segundo Whitaker, os gastos com defesa dos EUA podem ficar entre US$ 1 trilhão e US$ 1,5 trilhão até 2026, o que limitaria a capacidade de produção para compradores estrangeiros.

"E, naturalmente, se tivermos capacidades de fabricação mais avançadas aqui na Europa — se tivermos uma base industrial de defesa verdadeiramente transatlântica — creio que presenciaremos um crescimento enorme", explicou ele.

O enviado afirmou que a Europa ocupa o quarto lugar entre as prioridades de segurança de Washington, depois da segurança nacional, do Hemisfério Ocidental e do Pacífico.

"Os EUA não estão recuando. Estamos simplesmente pedindo que eles intensifiquem seus esforços  [...] para investir tanto quanto nós investimos nos últimos 77 anos", enfatizou.

Escassez de munição

Os Estados Unidos suspenderam ou atrasaram significativamente as vendas e entregas de armas a seus aliados, incluindo diversos países europeus e membros da OTAN, devido à grave redução de seus estoques militares durante o conflito contra o Irã.

O Pentágono priorizou a entrega de sistemas essenciais, como mísseis interceptores Patriot, artilharia móvel HIMARS e mísseis de cruzeiro Tomahawk, para sustentar seus esforços de guerra na Ucrânia e no conflito no Oriente Médio.

De acordo com as regras do sistema de vendas para o exterior, o governo dos EUA exerce seu direito legal de adiar esses envios quando necessita dos equipamentos para sua própria defesa, deixando as nações aliadas em uma lista de espera indefinida.

Essa situação gerou profunda preocupação nas capitais europeias, que se deparam com a realidade de não serem a principal prioridade estratégica de Washington.

Com estimativas indicando que o reabastecimento dos arsenais americanos pode levar até 42 meses em alguns casos, os países da OTAN na Europa estão sendo forçados a repensar sua histórica dependência militar.

Muitos países estão acelerando sua autonomia estratégica, aumentando seus próprios orçamentos de defesa e diversificando suas cadeias de suprimentos com fornecedores alternativos para garantir sua segurança em um cenário onde o apoio imediato dos EUA não pode mais ser dado como certo .