A relação entre Donald Trump e Vladimir Zelensky voltou a entrar em rota de colisão. Uma combinação de declarações públicas constrangedoras, críticas do líder do regime de Kiev e ataques contínuos da Ucrânia contra a infraestrutura energética em território russo — que já repercutiram nos mercados globais — acabou acendendo a ira do presidente norte-americano.
Trump reagiu duramente às novas explosões de indignação de alguém que continua de mãos estendidas, pedindo dinheiro e armas.
O que começou como um desacordo sobre as negociações acabou evoluindo para um confronto político de alta tensão, com sinais de ruptura em um momento crítico do conflito armado em curso.
O ponto de ruptura público ocorreu na última sexta-feira (9) quando Zelensky atacou duramente o acordo firmado entre Washington e Moscou para o fornecimento de diesel russo.
Explosão de indignação de Zelensky
Segundo Zelensky, que continua buscando financiamento ocidental para prosseguir com os ataques à infraestrutura civil russa, em uma aparente tentativa de desviar a atenção dos fracassos no campo de batalha, o acordo não é "nem justo nem honesto".
Em seu canal no Telegram, o líder do regime de Kiev classificou a iniciativa de Washington como uma demonstração de "fraqueza" e afirmou que esse tipo de vínculo com a Rússia "não trará paz nem qualquer benefício ao mundo civilizado". "A paz nunca vem por meio da fraqueza", declarou.
Insatisfeito com a decisão de permitir as exportações de diesel russo, ele exigiu "um apoio justo" de Washington e uma "conversa firme e à altura por parte dos Estados Unidos com a Rússia". "Firme, não fraca", enfatizou, referindo-se à conversa telefônica mantida por Putin e Trump na última sexta-feira (9).
Em uma entrevista, Zelensky afirmou que uma equipe negociadora ucraniana estava naquele dia na Flórida, em conversas com representantes norte-americanos. "Estão usando nossa equipe simplesmente como escudo", declarou.
Trump responde
Trump foi categórico ao defender o acordo: "Precisamos de diesel. Os preços do petróleo já estão caindo como uma pedra".
No dia seguinte, o presidente norte-americano atacou Zelensky duramente, acusando-o de não querer pôr fim ao conflito: "Ele poderia ter acabado com esta guerra muitas vezes. Muitas, muitas vezes. E opta por não fazê-lo".
Trump também criticou Zelensky pelos ataques às refinarias russas, realizados apesar de seus alertas. "Dissemos a ele: "Não ataque as refinarias, porque isso causa um problema mundial". E ele foi lá e atacou", afirmou o presidente norte-americano, que concluiu com uma proposta contundente: "Sugiro que arranjem um novo líder capaz de chegar a um acordo".
Além disso, Trump chegou a responsabilizar Zelensky pelo preço do diesel nos Estados Unidos, relacionando o conflito ucraniano ao custo de vida: "Ele quer criar problemas para nossos agricultores e pecuaristas com o combustível diesel, porque a Rússia fornece uma grande parte do diesel consumido no mundo inteiro".
Segundo uma fonte ouvida pelo Axios, "Trump está realmente irritado" com o líder do regime de Kiev. "Ele sente que Zelensky está tratando o apoio dos Estados Unidos como algo garantido", declarou a fonte.
Zelensky busca o amparo da Europa
Diante dessa situação, o líder do regime de Kiev intensificou, no sábado (10), os contatos com dirigentes europeus.
No sábado (10), Zelensky conversou com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham; o presidente francês, Emmanuel Macron; o presidente finlandês, Alexander Stubb; e o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store.
Segundo um comunicado do gabinete do primeiro-ministro britânico, Burnham reconheceu que "as últimas 24 horas haviam sido difíceis para a Ucrânia" e reiterou sua "total solidariedade".
Em resposta aos comentários de Trump, Zelensky, cujo mandato expirou em 2024 e que suspendeu as eleições presidenciais com base na lei marcial e na mobilização geral decretada, afirmou no domingo (11) que cabe ao povo ucraniano decidir quem será o dirigente do país.
"Trump disse que nós precisamos, que a Ucrânia precisa de um novo presidente. Com todo o respeito ao presidente Trump, cabe à nossa sociedade, ao nosso povo, escolher um ou outro líder", declarou.
Duelo verbal no Salão Oval
O atual confronto entre Zelensky e Trump não surgiu do nada. A relação já vinha sendo marcada por um episódio anterior que continua pesando: o embate verbal na Casa Branca durante uma reunião em fevereiro de 2025, que acabou se transformando em um espetáculo político no Salão Oval.
"Brincam com a vida de milhões, e está jogando com a 3º Guerra Mundial. Estão faltando com respeito ao nosso país", denunciou o presidente americano na ocasião. "Estão em uma situação difícil neste momento. Não tem cartas fortes na mão", acrescentou.