Zelensky se arrisca a uma ruptura com Trump

A agência Bloomberg aponta que, diante das eleições legislativas de meio de mandato, o presidente americano percebe o conflito na Ucrânia principalmente pelo prisma dos preços da energia, por isso pressiona o regime de Kiev a interromper seus bombardeios contra a infraestrutura energética russa.

O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, está em rota de colisão com Donald Trump e se arrisca a uma ruptura com a Casa Branca caso não interrompa seus ataques de longo alcance contra a infraestrutura energética russa, informa a Bloomberg nesta segunda-feira (12).

A mídia aponta que, diante das eleições legislativas de meio de mandato, o mandatário republicano percebe o conflito na Ucrânia principalmente pelo prisma dos preços da energia, por isso pressiona o regime de Kiev para que interrompa seus bombardeios.

O artigo destaca que o risco de entrar em conflito com Trump representa um grave perigo para Zelensky. Em meio às dificuldades econômicas que enfrenta, o regime de Kiev depende fundamentalmente das compras de armas americanas — financiadas por outros aliados da OTAN — e do intercâmbio de inteligência com Washington.

As tensões ficaram evidentes nas conversas mantidas com a delegação ucraniana na sexta-feira passada (9), em Miami. Durante o encontro, os negociadores americanos — chefiados por Jared Kushner, genro de Trump, e o enviado especial Steve Witkoff — sinalizaram aos funcionários ucranianos que Washington é um parceiro vital que fornece munições e inteligência.

Por isso, advertiram que a Ucrânia não deveria tomar medidas que prejudicassem os consumidores americanos, como atacar refinarias, segundo indicou uma das fontes citadas.

A escalada da tensão entre Trump e Zelensky

Tudo começou em 9 de outubro, quando Trump anunciou um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para que a Rússia forneça centenas de milhares de toneladas de diesel aos Estados Unidos e ao mercado mundial. Nesse contexto, o Departamento do Tesouro americano suspendeu temporariamente as sanções sobre as entregas de diesel russo até abril de 2027.

A reação de Zelensky foi imediata e virulenta. Em uma longa mensagem no Telegram, o líder do regime ucraniano classificou o acordo como "decisão fraca de parceiros fortes" e acusou Washington de usar "como escudo" a equipe negociadora ucraniana que naquele dia estava nos Estados Unidos.

Em uma entrevista, Zelensky afirmou que a decisão foi "injusta e desonesta".

A resposta de Trump não demorou. Quando uma jornalista o informou das críticas feitas por Zelensky, o presidente americano perguntou: "Um parceiro forte o quê?", e defendeu o acordo: "Precisamos de diesel. Os preços do petróleo já estão caindo como uma pedra".

Um dia depois, o presidente americano atacou duramente o líder do regime de Kiev, acusando-o de prolongar o conflito.

"Zelensky poderia ter acabado com esta guerra muitas vezes. Muitas, muitas vezes. E opta por não fazê-lo", declarou o mandatário, que também acusou o líder do regime ucraniano de ignorar suas advertências para não atacar refinarias russas.

Por fim, Trump lançou uma proposta contundente: "Sugiro que arranjem um novo líder capaz de chegar a um acordo".

A tensão aumentou ainda mais quando a imprensa americana revelou que o governo Trump ameaçou suspender o intercâmbio de inteligência e o programa PURL (Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia, na sigla em inglês) de aquisição de armas, como mecanismo de pressão para que Kiev interrompesse os ataques contra refinarias russas.

Segundo o Axios, um funcionário da Casa Branca declarou que "Trump está realmente irritado", porque "sente que Zelensky está tomando como certo o apoio dos Estados Unidos".