Dilema de guerra: golpes dos Houthis paralisam EUA

A morte de um cidadão americano aumenta a pressão sobre Donald Trump, que quer evitar uma nova escalada militar com o Irã antes das eleições de meio de mandato em novembro.

Após os recentes ataques dos Houthis ao aeroporto de Riade, que deixaram mais de uma dúzia de mortos e centenas de feridos, os Estados Unidos enfrentam um dilema: expandir seu apoio militar à Arábia Saudita, arriscando um maior envolvimento no conflito, ou manter a assistência atual, limitada ao compartilhamento de informações de inteligência, informou a Bloomberg no domingo (11).

O ataque de 10 de outubro causou 12 mortes e feriu mais de 300 pessoas. Um dos mortos era um cidadão americano, fato que aumenta a pressão sobre o presidente Donald Trump, que quer evitar uma nova escalada militar com o Irã antes das eleições de meio de mandato em novembro, segundo a agência.

Washington, que até agora se limitou a fornecer informações de inteligência, lançou grandes ataques aéreos contra os Houthis em 2025, antes de concordar com um cessar-fogo. Questionado se os EUA se juntariam aos ataques aéreos contra o grupo, Trump respondeu: "É possível. Vamos analisar a situação".

"Riade buscará ataques diretos dos EUA contra os Houthis, capacidades de defesa aérea, maior compartilhamento de informações de inteligência e apoio político para intensificar a campanha militar no Iêmen", afirmou William Usher, ex-analista da CIA para o Oriente Médio, à Bloomberg.

Segundo a agência, impedir novos ataques poderá ser difícil, uma vez que apesar de anos de ataques aéreos dos EUA e da Arábia Saudita, os houthis ainda possuem mísseis balísticos e drones capazes de atingir Riade. A escalada também coloca a Turquia e o Paquistão, que assinaram um acordo de defesa com o reino em agosto, àprova. A Turquia, por exemplo, já havia descartado a participação em operações ofensivas contra o grupo.