Um funcionário da Casa Branca revelou ao Axios neste domingo (11) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está furioso com o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, por ignorar seus pedidos para interromper os ataques contra refinarias russas.
"Trump está realmente irritado. Ele sente que Zelensky considera o apoio dos Estados Unidos algo garantido", declarou o funcionário.
Anteriormente, neste domingo (11), o presidente americano anunciou que Rússia e Ucrânia chegaram a um acordo de trégua energética, com entrada em vigor imediata. Segundo o Axios, Trump espera que Zelensky cumpra a trégua. Caso os ataques contra refinarias de petróleo sejam interrompidos, um acordo para suspender os ataques contra usinas elétricas e redes de energia poderá ser o próximo passo, acrescentou uma fonte.
Moscou ainda não comentou o anúncio.
Após o anúncio do acordo energético alcançado com Moscou na sexta-feira (9), o presidente americano continua concentrado em interromper os ataques ucranianos contra refinarias russas, pois considera que essas ações estão elevando os preços da gasolina nos Estados Unidos. Nesse sentido, funcionários da Casa Branca alertam que os ataques da Ucrânia contra refinarias russas estão prejudicando a relação entre Zelensky e Trump.
Um funcionário ucraniano declarou ao Axios, na sexta-feira (9), que, durante uma reunião com negociadores americanos em Miami, Steve Witkoff e Jared Kushner ameaçaram, em nome de Trump, suspender o compartilhamento de informações de inteligência dos EUA caso Kiev continuasse ignorando os pedidos americanos. No entanto, um funcionário americano negou essa versão, afirmando que Witkoff e Kushner disseram aos ucranianos que os Estados Unidos são um parceiro forte, que fornece munições e informações de inteligência, e que, por isso, a Ucrânia não deveria realizar ações que prejudicassem os consumidores americanos.
Neste mesmo domingo (11), o Financial Times revelou, citando autoridades europeias, que o governo Trump ameaçou suspender o mecanismo de compra de armas para a Ucrânia com o objetivo de pressionar Kiev a interromper os ataques em profundidade contra a infraestrutura energética russa.
Confronto entre Trump e Zelensky
Após o anúncio do acordo energético alcançado por Trump e Putin na sexta-feira (9), Zelensky criticou Washington, classificando o acordo como um sinal de "fraqueza" que não trará paz ao mundo. Em entrevista, o líder do regime de Kiev afirmou que uma equipe de negociadores ucranianos estava na Flórida naquele dia, em conversas com representantes americanos, razão pela qual considerou o acordo um ato desonesto. "Eles usam nossa equipe simplesmente como fachada", declarou.
A resposta de Trump foi contundente ao defender o acordo: "Precisamos de diesel. Os preços do petróleo já estão caindo como uma pedra". No dia seguinte, o presidente americano voltou a criticar duramente Zelensky, acusando-o de não querer encerrar o conflito: "Ele poderia ter resolvido esta guerra muitas vezes. E escolhe não fazer isso".
Trump também criticou Zelensky pelos ataques contra refinarias russas, realizados apesar de suas advertências. "Nós dissemos a ele: 'Não ataque as refinarias, porque isso causa um problema mundial'. E ele foi lá e atacou", afirmou o presidente americano, que concluiu com uma proposta direta: "Sugiro que consigam um novo líder que possa chegar a um acordo".
Trump tem se manifestado repetidamente contra os ataques ucranianos a refinarias russas, pois considera que essas ações contribuem para a alta dos preços do diesel. Assim, em 27 de setembro, reiterou que havia pedido a Zelensky que interrompesse a ofensiva contra essas instalações. "Conversei com o presidente Zelensky. Eu disse a ele: 'Você precisa reduzir o ritmo dos ataques contra as refinarias'", declarou.
Em resposta aos ataques de Kiev contra o setor civil russo, as Forças Armadas da Rússia realizam, segundo Moscou, ataques sistemáticos contra alvos militares e instalações energéticas, de transporte, logísticas ou de outros tipos vinculadas ao complexo militar-industrial da Ucrânia.