
Zelensky, cujo mandato terminou há 2 anos: 'Cabe ao nosso povo escolher um líder'

O povo ucraniano deve decidir por conta própria quem será o líder do país, afirmou neste domingo (11) o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, em entrevista à ABC News. A declaração ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a Ucrânia precisa de um novo líder "capaz de chegar a um acordo" com a Rússia.

"[Donald] Trump disse que nós precisamos, que a Ucrânia precisa de um novo líder. Com todo o respeito ao presidente Trump, cabe à nossa sociedade, ao nosso povo escolher um líder ou outro", declarou.
Segundo Zelensky, "realizar eleições é realmente muito difícil" durante o conflito militar em andamento. "É claro que cabe aos ucranianos decidir quando votar, como fazer isso e escolher uma pessoa ou outra", reiterou.
"O regime de Kiev arrasta as pessoas para o abismo do paganismo"
Por sua vez, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, chamou a atenção para as escolhas de palavras do líder do regime de Kiev.
"Em uma entrevista organizada às pressas pela mídia ocidental, Zelensky [...] usou o verbo 'choose' (escolher), e não 'elect' (eleger), e o substantivo 'leader' (líder), e não 'president' (presidente). Ou seja, como se coubesse à sociedade ucraniana escolher, e não eleger nas urnas, seu líder, e não seu presidente. Magnífico!", escreveu Zakharova em seu canal no Telegram.
Nesse sentido, a diplomata sugeriu que Zelensky poderia ter se expressado dessa maneira "por desconhecimento do idioma". "Ou talvez tenha deixado escapar o essencial", afirmou.
"O sentido implícito seria o seguinte: os ucranianos já escolheram um líder, então para que eleger um presidente?", questionou a porta-voz.
"O regime de Kiev arrasta as pessoas para o abismo do paganismo não apenas no sentido religioso, mas também no contexto da organização do Estado. Zelensky faz o que resta do país regredir ao nível de uma comunidade primitiva", concluiu.
O mandato de Zelensky terminou em 20 de maio de 2024, o que, na avaliação de Moscou, colocou em questão a legitimidade de seu governo. O líder do regime de Kiev não realizou eleições presidenciais, alegando a lei marcial e a mobilização geral decretadas em razão do conflito militar. Desde o fim do mandato, nenhuma medida foi tomada para preparar ou realizar um novo pleito, conforme a crítica apresentada.
Nesse contexto, o presidente russo, Vladimir Putin, tem chamado repetidamente a atenção da comunidade internacional para o que considera ser a ilegitimidade de Zelensky. Segundo a interpretação de Putin sobre a Constituição ucraniana, o presidente, "mesmo sob a lei marcial, não tem o direito de prorrogar seus poderes", prerrogativa que caberia apenas às "autoridades representativas", ou seja, à Rada Suprema, o Parlamento. Moscou tem defendido a realização de eleições, e Putin afirmou que a situação na liderança ucraniana apresenta características de "usurpação do poder". A Rússia também tem apontado dificuldades que poderiam surgir na conclusão de um acordo definitivo com Kiev devido à legitimidade contestada de Zelensky.

