'Algo que não esperávamos': vazam detalhes da reação de Kiev às declarações de Trump sobre Zelensky

Segundo um jornalista internacional, Kiev pode enfrentar sérios problemas na linha de frente e também em ataques direcionados contra a Rússia.

Os assessores do líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, "estão consternados e sem palavras" depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Ucrânia precisa de um novo líder "capaz de chegar a um acordo" com a Rússia e que o país deveria realizar eleições presidenciais. A informação foi divulgada neste domingo (11) pelo jornalista internacional Paul Ronzheimer, que trabalha para Bild, Welt e Politico.

"Sabíamos que, durante a campanha eleitoral, voltaríamos a ser o centro das atenções por causa das eleições de meio de mandato. Mas isso era algo que não esperávamos", afirmou ao jornalista um assessor próximo de Zelensky.

Segundo Ronzheimer, o lado ucraniano mantém diversas conversas telefônicas com seus parceiros europeus.

"Agora a questão é o que vai acontecer, porque a grande preocupação aqui é que Donald Trump faça com que a Ucrânia deixe de receber informações dos serviços de inteligência e, nesse caso, enfrentaria grandes problemas na própria linha de frente ou também em ataques direcionados à Rússia", ressaltou.

Negociações em Miami

Na sexta-feira (9), a delegação ucraniana se reuniu com negociadores americanos em Miami, nos Estados Unidos. A delegação americana foi representada pelos enviados da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner.

Após oito horas de discussões, os diplomatas ucranianos souberam que Trump havia anunciado um acordo para o fornecimento de diesel com a Rússia. As negociações foram frustradas, e a delegação ucraniana encerrou a viagem antes do previsto.

Para entender como o diesel russo abalou as relações entre a Casa Branca e Kiev, leia este artigo.

"Pareceu uma armadilha", afirmou um alto funcionário ucraniano ao Kiev Independent. "Para ser sincero, todos ficaram perplexos. Parecia uma armadilha."

Além disso, durante a reunião, os representantes americanos aumentaram a pressão para que a Ucrânia deixasse de atacar refinarias de petróleo russas. Witkoff e Kushner chegaram a ameaçar suspender o fornecimento de informações de inteligência consideradas vitais para Kiev.