
Ex-procurador-geral de Israel depõe no julgamento de Netanyahu sobre autorizações de investigação

O ex-procurador-geral Avichai Mandelblit chegou neste domingo (11) ao Tribunal Distrital de Jerusalém para testemunhar no julgamento por corrupção do premiê israelense, Benjamin Netanyahu.
Mandelblit foi convocado ao tribunal a pedido da defesa do chefe de governo, que pretende provar que parte das ações investigativas foi realizada sem as autorizações necessárias.

Durante o interrogatório conduzido pelo advogado de Netanyahu, Amit Hadad, Mandelblit reconheceu que algumas ações da polícia não foram previamente acordadas com ele.
De acordo com o The Times of Israel, Mandelblit diz que ficou indignado com o fato de a polícia ter colocado um grampo no então chefe de gabinete de Netanyahu, Natan Eshel, e que isso foi posteriormente cancelado.
"[Os investigadores da polícia] me disseram que fizeram algo que me deixou furioso, e eu disse que aquilo tinha que acabar — e foi o que aconteceu", diz ele.
Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu arrives at a Jerusalem court as former Attorney General Avichai Mandelblit, who indicted him on fraud, breach of trust and bribery charges, prepares to testify. https://t.co/m8Cp0urwMU
— Al Arabiya English (@AlArabiya_Eng) October 11, 2026
Netanyahu também compareceu à audiência, que ocorreu pouco mais de duas semanas antes das eleições israelenses de 27 de outubro.
Também estiveram na audiência o presidente do Knesset (Parlamento israelense), Amir Ohana, o chanceler Gideon Saar, a deputada Tali Gottlieb e o ex-presidente da Ordem dos Advogados, Efi Nave.
Ações contra o primeiro ministro
O julgamento de Netanyahu, iniciado em maio de 2020, reúne três casos.
No Caso 1000, os promotores alegam que Netanyahu e sua família receberam presentes de empresários ricos.
O Caso 2000 envolve gravações de conversas com o editor do jornal Yediot Aharonot, Arnon Mozes, sobre uma possível troca de favores: cobertura mais favorável a Netanyahu no jornal em troca de medidas para enfraquecer o jornal rival Israel Hayom.
Já no Caso 4000, os promotores sustentam que Netanyahu avançou com medidas regulatórias que beneficiaram a empresa de telecomunicações Bezeq em troca de cobertura favorável no site Walla.
- Netanyahu tornou-se o primeiro chefe de governo israelense a ser julgado criminalmente durante o exercício do cargo. As acusações, apresentadas em 2019, incluem fraude, abuso de confiança e suborno relacionados ao suposto recebimento de mais de US$ 210 mil em presentes de empresários.
- O primeiro-ministro nega as acusações e sustenta sua inocência. Em novembro de 2025, ele apresentou um pedido de perdão presidencial.

