Mensagens no celular de Vorcaro apontam para articulação com Padilha para captar dinheiro de fundos de pensão

Reportagem da Veja dá conta de que Padilha e sua equipe articulavam reuniões de Vorcaro com dirigentes de fundos de pensão estatais em troca de 10% de propina do dinheiro captado pelo extinto Banco Master.

O ex-banqueiro dono do liquidado Banco Master, Daniel Vorcaro, procurou ajuda de Alexandre Padilha (PT) e de sua equipe para articular reuniões com dirigentes de fundos de pensão estatais, segundo informou no sábado (10) a revista Veja.

As informações foram obtidas a partir de mensagens extraídas do celular de Vorcaro ao qual os colunistas do veículo tiveram acesso. Um consultor de nome Júlio Cezar teria articulado para aproximar o ex-banqueiro em 2024 de Padilha, que era então ministro da Secretaria de Relações Institucionais do governo, de Olavo Noleto, seu braço direito na pasta, e João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.

O objetivo da articulação era conseguir marcar reuniões com os dirigentes de fundos de pensão das estatais da Petrobras (Petros), Banco do Brasil (Previ) e Correios (Postalis), e assim captar R$ 10 bilhões em investimentos, dos quais, segundo a reportagem, os articuladores do PT ficariam com R$ 1 bilhão em propina por promover o lobby, enquanto que Vorcaro ficaria com o resto.

Uma gravação datada de maio de 2024 dá conta de que Júlio Cezar tentaria marcar uma reunião de Vorcaro com Henrique Jäger, que era o presidente da Petros na época, além de perguntar como iam as tratativas com os representantes da Previ. "Se tiver alguma novidade sobre o Banco do Brasil, você me avisa? Porque qualquer coisinha, já estando ok, eu já ponho você na boca do gol na quarta-feira quando você estiver lá", promete o operador ao ex-banqueiro.

Por meio do lobby promovido pelos articuladores petistas, Vorcaro também teria conseguido emplacar reuniões com representantes da Postalis.

Ainda segundo consta nas mensagens, para poder captar valores dos fundos de pensão, o ex-banqueiro precisava que o Banco Master fosse incluído na chamada 'lista exaustiva', onde são relacionadas as instituições que são habilitadas a receber tais recursos. A inclusão foi oficializada em 29 de abril de 2024, após o que Júlio Cezar cobrou R$ 500 mil de Vorcaro.

Após fazer o pagamento, o ex-banqueiro cobrou resultados do operador: "Quero ver agora você virar uma boleta de verdade". Ao que Júlio Cezar respondeu "Pode deixar. É empenho de vida, Daniel, isso".

As articulações teriam continuado até julho de 2024, quando reportagens jornalísticas na época atrapalharam as negociações. Gestores do Caixa Asset, que gerencia os recursos e fundos de investimento da Caixa Econômica Federal, teriam supostamente perdido seus cargos por se oporem a aplicações em letras do Banco Master. Vorcaro, contudo, continuou tentando articular novas captações, desta vez em fundos municipais, também oferecendo 10% de propina.

Alexandre Padilha nega as alegações e afirma que as reportagens são uma farsa articulada pela mídia para prejudicar o PT no 2º turno das eleições, argumentando que era Flávio Bolsonaro (PL) quem notoriamente tinha relações com Daniel Vorcaro.