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Fico explica por que acordo entre Putin e Trump expõe ingenuidade da União Europeia

O primeiro-ministro eslovaco afirmou que, enquanto Washington e Moscou defendem seus interesses, a União Europeia "sanciona, embarga e dá lições de moral", pagando caro pelo combustível.
Fico explica por que acordo entre Putin e Trump expõe ingenuidade da União Europeia

O acordo firmado na sexta-feira (9) entre o presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo americano, Donald Trump, para o fornecimento de diesel russo aos mercados americano e internacional demonstra a ingenuidade da liderança política da União Europeia, afirmou neste sábado (10) o primeiro-ministro da Eslováquia, Robert Fico, em uma mensagem de vídeo dirigida à população nas redes sociais.

Segundo o chefe de governo eslovaco, o acordo para a importação de diesel russo pelos Estados Unidos "deve reduzir o preço do diesel" no mercado americano e garantir enormes receitas aos cofres russos. Nesse sentido, Fico ressaltou que ambos os presidentes "defendem seus interesses nacionais".

"É isso que eu sempre digo. Acima de tudo, devemos defender nossos próprios interesses nacionais. Mas nós, na União Europeia, proibimos, sancionamos, embargamos, damos lições de moral e pagamos pelo diesel como idiotas, enquanto trememos de medo de que ele não seja suficiente", afirmou Fico.

Nesse contexto, o primeiro-ministro eslovaco destacou a importância da política externa equilibrada de seu governo, que busca manter relações com todos os atores internacionais.

"E alerto os políticos que odeiam os americanos e os russos de que, em breve, poderão estar abastecendo nos postos da União Europeia com diesel americano caro, mas de origem russa", ressaltou.

"Isso só pode acontecer em uma União Europeia dominada pelo ódio e que não compreende a realidade do mundo", concluiu Fico.

No fim de setembro, o chefe do governo eslovaco afirmou que a União Europeia "não é respeitada por ninguém" e não exerce influência sobre as guerras travadas em seu entorno.

Fico declarou que existe "interesse na guerra" para além das linhas de frente e acusou alguns países da UE e da OTAN de "estarem encantados com a ideia de lutar".

"Explique-me por que eu deveria apoiar essas ideias militares. Eu as rejeito", declarou.