Moscou acusa Zelensky de transformar conflito na Ucrânia em instrumento de sobrevivência política

Vasili Nebenzia acusou a Europa de ser o "principal patrocinador" do prolongamento do conflito.

O representante permanente da Rússia junto à ONU, Vasili Nebenzia, afirmou que prolongar o conflito ucraniano permite ao líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, permanecer no poder. 

"Para ele, a guerra é uma forma de sobrevivência política", declarou o diplomata na sexta-feira (9)durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a crise ucraniana. 

Segundo Nebenzia, Zelensky promete "vitórias fantásticas" aos aliados ocidentais enquanto se mantém no poder e garante o envio de armas à Ucrânia. Nebenzia disse que Kiev, com apoio do Ocidente,evita um diálogo sério para resolver o conflito. 

O representante russo recordou que, em 25 de junho, Zelensky anunciou uma operação de 40 dias para "forçar a Rússia a aceitar a paz", optando assim, de fato, por uma maior escalada do conflito.  

Nebenzia acrescenta ainda que, durante essa campanha, as forças ucranianas atacaram deliberadamente alvos civis russos, como refinarias, depósitos de petróleo, terminais portuários e infraestrutura energética e industrial. Ele afirmou que Kiev não conseguiu atingir seu objetivo e que Moscou respondeu com ataques a instalações ligadas à indústria militar e à logística ucranianas. 

Europa é "patrocinadora" da guerra

Nebenzia reiterou que a Rússia rejeita categoricamente as acusações de ataques deliberados contra civis na Ucrânia, afirmando que seusalvos são exclusivamente instalações militares e infraestruturas de apoio às tropas.

Ele também condenou o fato de a Ucrânia posicionar defesas antiaéreas, depósitos de armas e fábricas de drones em zonas residenciais, o que coloca a população civil em risco.

Nebenzia acusaa Europa de atuar como o "principal patrocinador" do prolongamento do conflito, em vez de promover a paz.

O diplomata reiterou que a Rússia nunca rejeitou as negociações, mas insistiu que uma solução duradoura é impossível sem eliminar as causas profundas do conflito, em especial as violações dos direitos da população russa e russófona da Ucrânia.