O assessor presidencial russo Yuri Ushakov comentou a conversa telefônica realizada nesta sexta-feira (9) entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seu homólogo norte-americano, Donald Trump.
Segundo o alto funcionário, durante a ligação, o presidente russo destacou que Moscou valoriza a atenção que Trump e sua equipe dedicam ao diálogo com a Rússia, apesar de estarem ocupados com questões internas dos Estados Unidos e do Oriente Médio.
"Quanto ao conteúdo da conversa, é claro, estimados colegas, não poderei satisfazer a curiosidade de vocês nem revelar em detalhes as questões específicas discutidas pelos presidentes", afirmou.
No entanto, Ushakov destacou que um dos momentos mais importantes da conversa foi o reconhecimento do presidente russo ao trabalho humanitário da primeira-dama dos EUA, Melania Trump, especialmente por sua contribuição aos esforços para reunir crianças com suas famílias, separadas durante o conflito na Ucrânia.
"Os líderes dos dois países discutiram em profundidade a preparação de iniciativas econômicas de grande escala, incluindo o possível fornecimento de derivados de petróleo russos aos mercados americano e global", afirmou. Ele acrescentou que, "naturalmente", também foi dada "grande atenção às perspectivas de resolução do conflito na Ucrânia".
Controle da iniciativa
Além disso, Ushakov afirmou que, durante a conversa telefônica, Vladimir Putin explicou detalhadamente a Trump as medidas adotadas pela Rússia em resposta aos ataques que Moscou classifica como terroristas, realizados pelo governo de Kiev, que, segundo o assessor, "apostou na escalada e em prolongar o conflito por todos os meios".
"Foi ressaltado que a tentativa de Kiev de deter, por meio de ataques dentro do nosso país, o avanço das tropas russas ao longo de toda a linha de contato não tem nenhuma perspectiva de sucesso", acrescentou.
"Nossas Forças Armadas controlam totalmente a iniciativa e avançam com segurança", destacou o assessor presidencial russo.
O alto funcionário também ressaltou que Putin deixou claro que a posição de seu país "em relação aos objetivos e às metas da operação militar especial não mudou", assim como permanece inalterada a "disposição de buscar uma solução político-diplomática destinada a alcançar uma paz duradoura e sustentável".
- Em meio aos avanços do Exército russo em diferentes frentes da operação militar especial, as Forças Armadas da Ucrânia enfrentam uma grave escassez de tropas, agravada pelo problema recorrente da deserção.
- Ao mesmo tempo, um número crescente de cidadãos tem sido vítima da mobilização forçada, conhecida popularmente no país como "busificação". Circulam regularmente nas redes sociais imagens de agentes de recrutamento militar convocando homens à força nas ruas, em transportes públicos e em hospitais, ou até mesmo bloqueando-os dentro de seus veículos enquanto dirigem.
- Diante da grave escassez de tropas e das deserções, cada vez mais autoridades ucranianas defendem que mulheres se alistem no Exército.
- Vladimir Putin declarou repetidamente que seu país está comprometido com a busca de uma solução diplomática para a crise ucraniana. O presidente russo destaca, em particular, a necessidade de garantir a segurança da Rússia a longo prazo e eliminar as causas profundas do conflito, incluindo a expansão da OTAN, considerada uma ameaça por Moscou, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
- A proposta russa prevê que Kiev retire completamente suas tropas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, bem como das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022, e reconheça esses territórios, juntamente com a Crimeia e Sebastopol, como parte da Federação da Rússia. Além disso, Moscou exige garantias de neutralidade, não alinhamento a blocos militares, desnuclearização, desmilitarização e desnazificação da Ucrânia.
"Impacto positivo"
"Estou convencido de que isso terá um impacto positivo em toda a economia global", afirmou o presidente russo ao comentar sua recente conversa telefônica com seu homólogo americano. Segundo Trump, ambos concordaram que a Rússia forneceria centenas de milhares de toneladas de diesel aos mercados americano e global.
De acordo com o Kremlin, os presidentes também discutiram as perspectivas de resolução da crise ucraniana, a situação em torno do Irã e as relações bilaterais. Moscou confirmou sua disposição de fornecer petróleo e derivados aos mercados americano e global.
Além disso, os dois líderes concordaram em manter contatos pessoais e continuar a cooperação entre as administrações presidenciais, os serviços de inteligência e outros órgãos governamentais.
Por sua vez, Trump anunciou que teve uma conversa "muito bem-sucedida" com seu homólogo russo, durante a qual concordaram que a Rússia fornecerá imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel aos mercados americano e global.
Segundo o presidente dos EUA, Moscou entregará outras 500 mil toneladas em novembro e mais um milhão de toneladas imediatamente depois, além de outros três milhões de toneladas em um curto período, dependendo das condições das refinarias russas.
Trump afirmou que, graças ao "controle total" que, segundo ele, os Estados Unidos exercem sobre o Estreito de Ormuz, e ao acordo energético com a Rússia, os preços do diesel cairão rapidamente, atingindo níveis recordes. O presidente também classificou o anúncio como "muito importante" e reiterou que o Irã não terá armas nucleares.
A última vez que os dois presidentes conversaram por telefone foi no início de setembro. Na ocasião, os líderes discutiram maneiras de resolver o conflito ucraniano, analisaram a situação no campo de batalha e trocaram opiniões sobre a recente visita dos enviados da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, a Moscou e Kiev.