Durante palestras realizadas nos dias 28 de setembro e 5 de outubro, Peter Thiel, cofundador da Palantir, afirmou que o Papa Leão XIV estaria utilizando os receios da sociedade sobre a inteligência artificial (IA) para desviar o foco dos escândalos de abuso sexual infantil na Igreja Católica, informou na quinta-feira (8) o Politico.
"Ele precisava de algo politicamente popular para desviar a atenção dos escândalos de abuso sexual infantil na Igreja, e encontrou isso na IA", disse o cofundador da empresa americana de software e inteligência artificial, referindo-se à encíclica do Papa sobre IA.
Leão XIV fez da IA um dos temas centrais do seu pontificado, alertando para os perigos do desenvolvimento desenfreado e seu impacto na dignidade humana, nas liberdades individuais e na concentração de poder.
Thiel também acusou o ex-presidente americano Barack Obama de explorar a oposição à IA para obter ganhos políticos.
"Muitas pessoas sabem que a IA é politicamente impopular e querem tirar proveito disso para aumentar sua própria popularidade", disse. "Tanto Obama quanto o Papa se enquadram nessa categoria. Obama sabe que os Democratas não têm ideias, mas podem, pelo menos, opor-se à IA".
Salvaguardas contra a tecnologia
As declarações vêm em um momento em que os próprios desenvolvedores de IA alertam que a tecnologia pode, em breve, escapar do controle humano. Sam Altman, chefe da OpenAI, e Elon Musk, proprietário da xAI, apoiaram apelos para desacelerar o desenvolvimento de modelos de IA cada vez mais poderosos, depois que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, alertou que sistemas fora de controle poderiam assumir o comando de vastas áreas da internet em questão de meses, causando prejuízos na casa das centenas de bilhões de dólares.
Tais alertas alimentaram a demanda por uma supervisão mais rigorosa da IA, com gigantes rivais do setor tecnológico defendendo a implementação de salvaguardas contra a tecnologia.