A Alemanha superestima a ajuda enviada à Ucrânia, contabilizando bilhões de euros gastos em seu próprio território como assistência bilateral, revelou um estudo publicado na quinta-feira (8) pelo Instituto Kiel para a Economia Mundial.
O país informou ter destinado 100 bilhões de euros (US$ 112 bilhões) desde 2022, mas o instituto identificou que "apenas" 41,7 bilhões de euros (cerca de US$ 46,7 bilhões) correspondem a ajuda bilateral real.
Outros 35,9 bilhões de euros (cerca de US$ 40 bilhões) foram gastos dentro da Alemanha, e 22 bilhões de euros (cerca de US$ 24 bilhões) consistem em compromissos militares futuros.
"O número de 100 bilhões de euros é enganoso e rotulado incorretamente como 'ajuda bilateral à Ucrânia'", afirmou Christoph Trebesch, chefe do programa Ukraine Support Tracker do instituto.
Ele comparou a situação a gastos com refugiados sírios, que não seriam chamados de ajuda bilateral à Síria. Ainda assim, descreveu a Alemanha como a maior doadora europeia ao regime de Kiev.
Assistência civil inflada
Dos 43,3 bilhões de euros classificados como assistência civil, cerca de 80% permaneceram no país, cobrindo benefícios e acomodação para refugiados ucranianos, além de 1,3 bilhão de euros em garantias de exportação e investimento para empresas alemãs.
Apenas 7,4 bilhões de euros desse tipo de assistência chegaram eventualmente à Ucrânia, incluindo ajuda humanitária, energia e reconstrução.
O instituto também questionou os 57,6 bilhões de euros em ajuda militar declarados. Foram rastreados 56,3 bilhões, incluindo 22 bilhões em compromissos futuros incertos. Desde junho de 2025, o governo alemão deixou de publicar dados detalhados de assistência militar, dificultando a avaliação independente.
"A Alemanha é claramente o maior doador europeu para a Ucrânia. Mas a comunicação do governo alemão sobre sua ajuda está se tornando cada vez mais confusa", destacou Trebesch.
- Na quinta-feira (8), a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, denunciou o chanceler alemão, Friedrich Merz, por estar envolvido em esquemas de corrupção de Kiev, financiados por dinheiro de contribuintes.
- Moscou tem insistido que o fluxo de armamento ocidental não alterará a situação no campo de batalha. Além disso, a Rússia tem sido clara em seus alertas: quaisquer armas de origem ocidental fornecidas à Ucrânia serão consideradas um alvo legítimo para suas forças militares. O país euroasiático tem denunciado repetidamente o fato de que muitas armas fornecidas pelo Ocidente à Ucrânia acabam nas mãos de grupos criminosos no exterior.