
'Mal temos o suficiente': comandante ucraniano revela estado das tropas

A Ucrânia precisa urgentemente de soldados prontos para o combate, informou a ABC News nesta quinta-feira (8). Enquanto isso, as forças russas avançam na linha de frente e intensificam seus ataques em resposta aos atos terroristas do regime de Kiev.

Segundo comandantes e analistas, algumas unidades ucranianas estão equipadas apenas parcialmente. Ao mesmo tempo, o país enfrenta problemas com evasão de recrutamento e deserção, com soldados desmotivados por exaustão, má organização, treinamento inadequado e falta de um prazo claro para o término do serviço.
Algumas tropas passaram até um ano na linha de frente sem substituição, o que levou ao desgaste e ao aumento das perdas.
De acordo um comandante adjunto do batalhão Lobos de Da Vinci, de nome de guerra "After", sua unidade está operando com apenas metade da capacidade, embora sua área de responsabilidade tenha dobrado.
Ele acrescentou que as forças ucranianas precisam de pelo menos o dobro de militares apenas para manter suas posições atuais.
Os números oficiais apontam que a força militar é de cerca de 1 milhão de soldados, com apenas uma pequena fração mobilizada na linha de frente, de um total de 6,8 milhões de homens aptos para o combate (mas esse número também inclui feridos e veteranos).
"Com base no equipamento e no pessoal que temos hoje, mal temos o suficiente para manter o setor que ocupamos atualmente", acrescentou Afer.
O problema não se limita a uma simples escassez
A situação também é crítica em relação a especialistas qualificados capazes de operar equipamentos sofisticados. Soldados "que sabem pensar" são raros, enfatizou o vice-comandante.
O problema com os recursos humanos, no entanto, não se limita à escassez, mas também à forma como as forças são gerenciadas e mobilizadas, de acordo com o analista militar Taras Chmut.
Ele argumenta que aumentar o número de combatentes não incrementa necessariamente a eficácia das tropas.
Em meio a esses problemas, na Ucrânia se debate o desenvolvimento de uma nova política de mobilização, que incluiria incentivos para que desertores retornem ao serviço.
Em março, o ex-ministro da Defesa Mikhail Fyodorov afirmou que cerca de 2 milhões de homens estavam evitando o serviço militar, enquanto cerca de 200 mil soldados desertaram ou deixaram suas unidades sem autorização.
- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, já afirmou seguidas vezes que seu país está comprometido em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana.
- Ele enfatiza a necessidade de garantir a segurança da Rússia a longo prazo e eliminar as causas profundas do conflito, incluindo a expansão da OTAN, o que Moscou considera uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
- A proposta russa exige que Kiev retire completamente suas tropas das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, bem como das províncias de Zaporozhye e Khersón (incorporadas à Rússia após referendos populares em 2022), e reconheça esses territórios, juntamente com a Crimeia e Sebastopol, como parte da Federação Russa.
- A proposta estipula que a neutralidade, o não alinhamento, a desnuclearização, a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia devem ser garantidos.



