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União Europeia pode levar ao fechamento da produção de níquel no Brasil; entenda

Anglo American afirma que poderá encerrar atividades no país caso a Comissão Europeia impeça a venda de US$ 500 milhões à MMG, empresa listada em Hong Kong.
União Europeia pode levar ao fechamento da produção de níquel no Brasil; entendaGettyimages.ru / FG Trade

A mineradora britânica Anglo American poderá fechar sua operação de níquel no Brasil caso a União Europeia (UE) barre sua venda à MMG, empresa de mineração e metais listada em Hong Kong.

O alerta consta de declarações preparadas para uma audiência com reguladores europeus nesta quinta-feira (8), obtidas pela Reuters.

"Teremos poucas opções além de avançar para um regime de conservação e manutenção, como caminho para o fechamento, caso a Comissão proíba a venda à MMG", afirmará o diretor de operações da Anglo American no Brasil, Ruben Fernandes, conforme o documento.

O negócio está avaliado em US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,51 bilhões).

A Anglo American considera a MMG a única compradora confiável que identificou e afirma ter assumido, há mais de dois anos, o compromisso de deixar o setor de níquel.

Resistência europeia

Em setembro, a Comissão Europeia alertou que a MMG poderia redirecionar o fornecimento de níquel para fora da Europa, prejudicando fabricantes europeus de aço inoxidável.

A análise ocorre em meio a preocupações da UE com sua dependência da China em minerais críticos.

Fernandes também afirmará que a demora na análise regulatória já provocou incertezas no Brasil. Para o executivo, as consequências de uma eventual proibição da venda seriam "muito preocupantes".

A diretora financeira da Anglo American no Brasil, Cristina Morgan, defenderá que a MMG tem condições de assumir o negócio e continuar atendendo clientes europeus. A mineradora busca convencer a Comissão Europeia de que a transação não prejudicará os fabricantes de aço inoxidável do bloco.

Segundo as declarações preparadas por Morgan, a escolha do comprador considerou sua experiência operacional, capacidade de financiar a aquisição, planos para os funcionários e condições de desenvolver futuros projetos. A executiva também destacará o histórico da MMG como operadora responsável.

A audiência com autoridades e advogados da Comissão Europeia contará ainda com a participação de Troy Hey, diretor-geral executivo de relações corporativas da MMG. A Anglo American defenderá que é possível encontrar uma solução para atender às preocupações dos reguladores europeus.