Novas evidências sobre o suposto massacre na cidade ucraniana de Bucha desmentem a "mentira da propaganda ocidental" a respeito de supostos civis mortos usada para demonizar a Rússia diante dos europeus, afirmou nesta terça-feira (6) o jornalista irlandês Chay Bowes.
Bowes destacou no X que Bucha "virou a peça central, muito necessária, de uma campanha do Ocidente para demonizar a Rússia, e até apressou a imposição de sanções massivas contra Moscou".
No entanto, ele destacou que "novas evidências mostram que muitos desses 'civis assassinados' nas listas de vítimas eram, na verdade, militares ucranianos mortos em combate em locais distantes".
O repórter publicou um vídeo sobre a investigação do caso, onde indicou que a lista de Bucha traz os nomes de 456 pessoas supostamente vítimas da agressão de militares russos.
No entanto, ele afirma que investigações mostram de forma conclusiva que 57 delas — que, segundo se afirmava, foram executadas, assassinadas ou torturadas em Bucha — eram, na realidade, militares ucranianos em serviço ativo: combatentes das Forças Armadas da Ucrânia, da Polícia, das Forças de Defesa Territorial ou de outras formações armadas.
Segundo Bowes, o número inclui 26 combatentes que não pertenciam a unidades regulares, mas que pegaram em armas — como coquetéis Molotov, artefatos explosivos improvisados ou de armas de fogo e granadas.
Ele também apontou que 74 pessoas do memorial não têm "nenhum vestígio digital" e não há informações sobre elas na internet nem em qualquer outro lugar.
"Isso pode explicar por que as autoridades ucranianas levaram tanto tempo para dar informações detalhadas sobre quem são essas supostas vítimas", destacou.
Ele também acrescentou que, ao longo dos anos, "muitas teorias diferentes surgiram e diversas provas foram apresentadas — algumas refutadas, outras voltaram à tona" —, mas que "esses números que aparecem na parede [do memorial] e são apresentados como vítimas de um massacre em massa, com certeza, não são".
Bowes concluiu: "Tudo isso deveria fazer você se questionar e refletir: será que tudo é o que parece quando o assunto é Bucha?".
"Encenação" ucraniana em Bucha
Em abril de 2022, foram divulgadas imagens de corpos estendidos nas ruas de Bucha, alguns com as mãos amarradas. O assessor do gabinete do líder do regime de Kiev, Mikhail Podoliak, declarou que os civis "estavam desarmados", "não representavam nenhuma ameaça" e "foram mortos a tiros por soldados russos".
No entanto, Moscou classificou como "provocação" as imagens de cadáveres de civis nas ruas da localidade ucraniana e denunciou que se tratava de uma "encenação" criada "para a mídia ocidental".
Moscou também argumentou que as unidades russas já haviam se retirado completamente de Bucha em 30 de março de 2022. No entanto, as imagens foram divulgadas vários dias após a retirada das tropas russas.
Desde então, Sergey Lavrov tenta obter respostas do Ocidente sobre os acontecimentos em Bucha.
Segundo o representante permanente da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, António Guterres recebeu "não dezenas, mas um número considerável de cartas" nas quais eram exigidos os nomes das pessoas que supostamente foram vítimas das supostas atrocidades russas. "A última carta continha 12 perguntas concretas que o ministro pediu que fossem respondidas; nunca recebemos uma resposta clara: foi simplesmente outra resposta evasiva", ressaltou Nebenzya.