Na primeira audiência judicial sobre a revisão antecipada das licenças de oito emissoras locais da Walt Disney Company, na terça-feira (6), advogados da empresa acusaram o governo de Donald Trump de "violações flagrantes da Constituição" e censura, informou o The Guardian.
A Disney e seu grupo de emissoras processaram a Comissão Federal de Comunicações (FCC) em agosto deste ano para bloquear medidas que, segundo a empresa, visam punir a rede por sua programação.
A advogada Beth Wilkinson, representando a ABC, que pertence à Disney, afirmou que a rede sofre um "efeito inibidor" que já alterou decisões editoriais. Ela citou que a emissora deixou de convidar políticos para o programa "The View" e transmitiu um discurso de Trump em julho em sua plataforma de streaming para não antagonizar o presidente. A advogada acrescentou que a ABC optou por veicular uma entrevista de Jimmy Kimmel com o candidato ao Senado James Talarico no YouTube, e não na TV, "porque a FCC não tem controle sobre o YouTube".
Já o advogado da FCC, Dimitar Georgiev, negou que a ordem de renovação antecipada tenha motivado mudanças editoriais. Ele argumentou que a revisão "não é sobre as licenças", mas uma "ferramenta" para agilizar a investigação sobre possíveis violações de regras de igualdade de oportunidades.
Segundo o veículo, a juíza distrital Loren AliKhan ouviu os argumentos por cerca de duas horas e questionou por que a Comissão só no verão considerou as respostas da Disney insuficientes e por que exigiu a renovação simultânea de oito emissoras. A audiência foi encerrada sem a juíza emitir uma ordem, já que foi necessário que analisasse o caso "após julgamento", segundo imprensa.