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EUA voltam os olhos para a Islândia e ampliam presença militar no Ártico

Visita de Marco Rubio à ilha do Atlântico Norte busca aprofundar a cooperação militar com o país após as ameaças de Trump contra a Groenlândia.
EUA voltam os olhos para a Islândia e ampliam presença militar no ÁrticoSecretary Marco Rubio / X

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi nesta terça-feira (6) a Reykjavik para transmitir as ambições do presidente Donald Trump em relação ao Ártico, também buscando ampliar um acordo que surgiu da pressão de Trump para controlar a Groenlândia enquanto os EUA expandem seu alcance militar na região, segundo informou o The Wall Street Journal.

Em reuniões com autoridades islandesas, Rubio informou que a administração está aberta a ampliar a cooperação de segurança, citando a infraestrutura, a tecnologia e as capacidades de vigilância da Islândia. "Há interesse em fazer mais juntos", afirmou, elogiando o país por permitir que os EUA usem o território da Islândia para suas atividades militares.

A primeira-ministra islandesa, Kristrún Frostadóttir, disse ao WSJ em entrevista no mês passado que a Islândia contribui para a logística das operações no Ártico. "Muita da logística que vai para a Groenlândia passa pela Islândia, simplesmente por causa da geografia", afirmou, acrescentando que o país está disposto a viabilizar a logística americana na região.

Tensões com Trump ainda pesam

A visita de Rubio — parte de uma viagem de três dias por aliados da OTAN, incluindo Grécia e Portugal — ocorre quando os EUA voltam sua atenção militar para o Ártico, após décadas de baixa prioridade. A Islândia, membro fundador da OTAN sem exército permanente, tem importância estratégica por sua localização em um corredor marítimo usado para monitorar submarinos russos e proteger infraestrutura submarina.

Apesar da aproximação, as ameaças de Trump de tomar o controle da Groenlândia abalaram a aliança e irritaram a Islândia. Milhares assinaram uma petição contra o candidato a embaixador dos EUA na Islândia que afirmou que o país se tornaria o "52º estado" americano. Uma pesquisa Gallup mostrou que quase três quartos dos islandeses veem o interesse dos EUA na Groenlândia como uma ameaça.

Rubio tentou suavizar as tensões, enfatizando que Washington não ampliará suas atividades militares na Islândia sem a cooperação do país e respeita sua soberania.

"Olhamos para frente, não para trás", disse a chanceler Thorgerdur Katrín Gunnarsdóttir. Ainda assim, a primeira-ministra admitiu que as ameaças de Trump foram um "grande choque" e que levará tempo para reconstruir a confiança.