Investigação sobre tentativa de sequestro de avião da Flydubai avança e envolve até Nova Zelândia; entenda

Informações que vieram à tona revelam que Hamam al-Hammami se radicalizou e passou algum tempo na Síria, na Nova Zelândia e na Austrália; sua relação com esses países ainda está sendo investigada.

A investigação sobre a tentativa de sequestro do voo FZ 1073 da Flydubai, que ia de Dubai a Tel Aviv, agora envolve autoridades de pelo menos quatro países — Emirados Árabes Unidos, Israel, Austrália e Nova Zelândia. O copiloto acusado de atacar o comandante com um machado de emergência é identificado como Hamam al-Hammami, de 29 anos, de nacionalidade omanense.

Emirados confirmam "ato terrorista"

O procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos, Hamad Saif Al Shamsi, afirmou no sábado (3), segundo a agência estatal WAM, que o copiloto "tentou realizar um ato terrorista" e "atacou o comandante na cabine com um machado de emergência tentando assumir o controle da aeronave". Os resultados iniciais não revelaram o motivo do ataque.

O incidente ocorreu na quarta-feira (30). O comandante indiano Smit Machchhar foi atacado, mas conseguiu abrir a porta da cabine, permitindo que passageiros e tripulação dominassem o agressor e forçassem um pouso de emergência na Arábia Saudita. O avião perdeu cerca de 17 mil pés (5.180 metros) de altitude em um minuto.

Relato do comandante

Machchhar descreveu o ataque dizendo que o agressor o atingiu na nuca depois de pedir tempo para rezar, informou o The New Zealand Herald no domingo (4). "Meu primeiro pensamento foi que havia danos catastróficos na aeronave", disse ele.

"Mas depois os golpes continuaram, um atrás do outro. Foi quando percebi que não era a aeronave, era o outro cara que estava na cabine comigo".

Apesar dos ferimentos, conseguiu abrir a porta. "Eu ainda tinha aquela última luta dentro de mim".

Quem é o suspeito

O copiloto está sob custódia nos Emirados. Vários veículos o identificaram como Hamam al-Hammami e afirmaram que ele havia sido proibido de voar em Omã por ter visões extremistas.

As autoridades omanenses o barraram de voar por suspeitas de visões radicais. Ele foi removido de um cargo na companhia aérea nacional de Omã no ano passado.

As autoridades omanenses determinaram que ele tinha visões extremistas e que passou um tempo na Síria.

O suspeito teria sido encontrado em posse de material extremista enquanto era estagiário.

Conexão com a Nova Zelândia

A polícia da Nova Zelândia confirmou que está investigando o tempo que o copiloto passou no país. O comissário-assistente Michael Johnson disse ao NZ Herald que a polícia sabia que ele esteve no país, mas inicialmente não revelou quando, por quanto tempo ou o que fez.

"A polícia está ciente de que o copiloto passou um tempo na Nova Zelândia, e estamos analisando o tempo que ele passou aqui, ao lado de outras agências", disse Johnson. 

Em uma atualização posterior, na terça-feira (6), o The New Zealand Herald revelou que al-Hammami passou quase seis meses na Nova Zelândia para treinamento de voo entre novembro de 2018 e maio de 2019, com um visto de estudante de seis meses. Johnson afirmou que ele estava no país para "completar uma parte de seu treinamento de voo para uma empresa sediada no Reino Unido que não opera mais na Nova Zelândia".

O ministro responsável pela aviação no país, James Meager, afirmou: "Treinamos um número considerável de pilotos internacionais na Nova Zelândia... então não é surpreendente que alguns passem por aqui, mas não sei nada além disso".

Austrália entra na investigação

Agências australianas também investigam as conexões de al-Hammami com o país. Ele havia recebido um visto de estudante australiano em 2014, segundo o Guardian.

O Sydney Morning Herald informou no domingo (4) que ele estava matriculado no Instituto Real de Tecnologia de Melbourne (RMIT University). Seu perfil deletado no LinkedIn dizia que ele havia estudado engenharia. Ele teria deixado a Austrália em 2017 e seu visto foi cancelado em 2019. 

A Polícia Federal Australiana informou que a Equipe Conjunta de Contra-Terrorismo de Victoria está analisando os vínculos de al-Hammami com o país. 

Indícios de radicalização

O The Daily Telegraph revelou no sábado (3) que al-Hammami, enquanto estudava gestão de aviação em uma universidade britânica, defendia violência contra mulheres e pedia punições religiosas severas em publicações nas redes sociais.

Em uma troca de mensagens, a conta ligada a ele disse a uma mulher: "Eu pisaria na sua cabeça, limparia o chão com você, faria de você um exemplo para os outros e depois me divorciaria :)".

Duas publicações feitas no perfil de al-Hammami no LinkedIn nove horas após o ataque continham imagens terroristas, incluindo uma montagem com um homem-bomba e Ayman al-Zawahiri, co-fundador da Al-Qaeda.

Piloto indiano também treinou na Nova Zelândia

Foi revelado que o comandante Smit Machchhar também passou um tempo na Nova Zelândia treinando com a Mainland Air em Dunedin de 2008 a 2009. O executivo-chefe da Mainland Air, Philip Kean, disse que Machchhar permaneceu como agente de recrutamento baseado na Índia e o descreveu como um piloto "acima da média", informou o The New Zealand Herald nesta terça-feira (6).

"Ele era meio elétrico... é simplesmente horrível. O importante é que ele ainda está vivo", disse Kean. "É uma queda longa. Foi sorte que [a aeronave] não se despedaçou; aqueles pilotos fizeram um ótimo trabalho ao recuperar o avião".

O que aconteceu a bordo?