
EUA não vão deixar que o Irã faça o que quiser, diz secretário de Estado americano

O Irã tentou construir uma enorme capacidade militar convencional para se tornar "intocável" e, consequentemente, desenvolver uma arma nuclear sem interferências, declarou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nesta quarta-feira (7).

"'Se eles tentarem fazer qualquer coisa em relação ao nosso programa nuclear, aniquilaremos todos os países do Oriente Médio. Expulsaremos as forças americanas da região. Podemos fazer o que quisermos'. Era isso que eles estavam tentando alcançar. O presidente dos EUA, Donald Trump, jamais permitiria que isso acontecesse", afirmou Rubio em coletiva de imprensa.
Segundo Rubio, Trump destruiu os programas de drones e mísseis do Irã, bem como sua capacidade de produção, Marinha e Força Aérea. "O Irã é muito menos poderoso militarmente hoje do que era, e essa linha de imunidade atrás da qual eles tentavam se esconder foi apagada", declarou.
O secretário de Estado indicou que a República Islâmica não terá uma arma nuclear "enquanto Trump estiver no cargo" e que Teerã teve múltiplas oportunidades no passado para chegar a acordos sobre essas questões, mas não o fez.
Ele observou que "o Estreito de Ormuz está aberto", com "quase a mesma quantidade de petróleo fluindo como antes do conflito". Acrescentou, referindo-se a Teerã: "O país perdeu completamente o controle do estreito". Informações estas que não são corroboradas pelos sites de monitoramento que acompanham o tráfego naval na passagem marítima.
Rubio enfatizou que a nação persa agora enfrenta sanções severas e que a mídia nos Estados Unidos "está começando a cobrir, pela primeira vez, a situação crítica que o Irã enfrenta".
"E sua economia não está apenas em queda livre, a economia do Irã está à beira de atingir um ponto de crise que poucos países no mundo já experimentaram", afirmou Rubio.
Rubio culpou "os clérigos xiitas radicais que tomam as decisões" na República Islâmica por terem colocado a população do país na situação atual, por não gastarem cada centavo que ganham "em estradas, pontes ou em ajudar a melhorar a vida do povo iraniano".
"Eles gastam esse dinheiro com o Hezbollah, o Hamas, as milícias que disparam foguetes do Iraque e os Houthis", afirmou.
- Israel, os EUA e outros países ocidentais há muito acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares por meio de seu programa atômico. Entre seus principais argumentos, citam o enriquecimento de urânio a 60%, um nível muito superior ao necessário para fins civis e próximo dos 90% exigidos para a fabricação de uma arma. No entanto, Teerã rejeita essas acusações e afirma que não busca adquirir armas nucleares.
- O Irãmantém uma posição firme em relação ao seu programa nuclear, que continua a caracterizar como pacífico, apesar dos bombardeios lançados pelos EUA e por Israel contra sua infraestrutura nuclear em junho de 2025 e no início deste ano. Em ambos os incidentes, Washington e Tel Aviv atacaram instalações civis iranianas, incluindo usinas nucleares, no que Teerã denuncia como uma violação flagrante do direito internacional e do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
- O presidente do Parlamento iraniano e chefe da equipe de negociação do país, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou no domingo (4) que a reabertura do Estreito de Ormuz depende do cumprimento de sete condições estabelecidas pela República Islâmica do Irã. Ele indicou que os EUA se mostraram "desesperados" diante da resistência iraniana e que recentemente apresentaram algumas propostas por meio de um mediador. Qalibaf enfatizou que, apesar disso, o tempo para protelar e adiar as exigências acabou.
- O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou em setembro que Teerã havia transmitido sete condições a Washington para o início das negociações, incluindo o fim da guerra em todas as frentes, a liberação de ativos iranianos congelados, o levantamento do bloqueio naval e o compromisso de não interferir nos assuntos internos do país. Posteriormente, foi noticiado que o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou a proposta do Irã para encerrar o conflito entre os dois países.

