
Entre relapso de guerra civil e crise diplomática com vizinhos, Etiópia exige acesso ao Mar Vermelho

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, exigiu acesso ao Mar Vermelho durante sua posse na segunda-feira (5) para mais um mandato de cinco anos, em Adis Abeba, afirmando que o país trabalharia "diligentemente" para garantir uma saída marítima.
A declaração ocorreu em meio à escalada de confrontos no norte da Etiópia entre forças federais e uma coalizão de grupos armados de oposição liderada pela Frente Popular de Libertação do Tigré (TPLF), reacendendo a sombra da guera civil travada entre 2020 e 2022 que teria levado à morte de 600 mil pessoas em algumas estimativas.
Os combates se intensificaram no norte etíope, com explosões registradas na capital Adis Abeba. Forças governamentais avançaram sobre Mekelle, capital de Tigré, alegando controle quase total da região na segunda-feira.

Caminho ao mar
Longe de ser limitado a fronteiras domésticas, o conflito denota um forte envolvimento regional em seus contornos, particularmente na acusação pela Etiópia de apoio do governo da Eritreia a facções da TPLF. A Etiópia acusou a Eritreia de "atos diretos e indiretos de hostilidade", que, por sua vez, negou envolvimento em atividades hostis e retrucou a acusação, alegando que a Etiópia busca acesso ao mar através de seu território.
O acesso ao Mar Vermelho constitui ponto crítico de tensão. A Etiópia, sem litoral desde a independência da Eritreia em 1993, tem argumentado repetidamente que restaurar acesso ao mar – especificamente ao porto eritreu de Assab – é vital para sua segurança e desenvolvimento econômico de longo prazo.
Em meio ao conflito, a Eritreia rompeu relações diplomáticas com a Etiópia na última quinta-feira (1º), após anúncio pelo governo etíope do fechamento de sua embaixada em Asmara, capital eritreia, declarando dez diplomatas eritreus "persona non grata".
No domingo (4), quatro países costeiros do Mar Vermelho — Egito, Eritreia, Sudão e Somália — reuniram-se na cidade egípcia de Nova Alamein e declararam que a governança do Mar Vermelho é responsabilidade exclusiva dos Estados costeiros.
No entanto, o presidente somali Hassan Sheikh Mohamud ofereceu uma alternativa, declarando à Al Jazeera que a Somália está disposta a permitir que a Etiópia utilize dois ou três portos somalis para importação e exportação, desde que haja negociações oficiais através de Mogadíscio, capital do país.
