
'Não temos nenhuma evidência' de ataque russo: admite presidente de país da OTAN

O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, declarou que seu governo não cogita nenhuma intervenção militar russa na Europa e deixou claro que não compartilha dos supostos planos de "testar a OTAN" que serviços de inteligência europeus atribuem a Moscou.
"Esperamos que a Rússia ataque? A resposta é não. Não temos nenhuma evidência disso", afirmou em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, publicada neste sábado (3), ressaltando que os serviços de inteligência finlandeses não acreditam que uma eventual ofensiva russa esteja no horizonte.

Segundo Stubb, atualmente na Europa "há pessoas que agem de forma alarmista e misturam os cenários com a percepção da ameaça". Nesse sentido, pediu "a todos que sejam um pouco mais finlandeses".
"Temos a fronteira mais longa com a Rússia. Vemos exatamente o que a Rússia vai fazer ou não. E, claro, informaremos se observarmos que as coisas mudam", ressaltou. "Não estamos em guerra com a Rússia", acrescentou.
Sem provas
Nesta terça-feira (29), o primeiro-ministro lituano, Mindaugas Sinkevicius, também admitiu que a Inteligência da OTAN não dispõe de informações que indiquem que Moscou esteja preparando, em um futuro próximo, qualquer ação contra a Aliança.
"O que eu também questionava [...] é: existe alguma prova real apresentada pelos serviços de inteligência que indique que a Rússia está se preparando para algo? E, de fato, não há nenhuma", declarou.
- Nos últimos anos, o Ocidente intensificou sua narrativa sobre uma suposta ameaça russa. Sob esse pretexto infundado, os países da OTAN reforçam o flanco oriental.
- Moscou afirmou repetidamente que não planeja atacar a Europa. O presidente russo, Vladimir Putin, apontou que as elites governantes europeias estão imersas na histeria de que "a guerra com os russos está ao virar da esquina". "É impossível acreditar nisso, embora tentem convencer o seu próprio povo", acrescentou.
- O presidente indicou que a atual crise ucraniana é uma consequência direta de o Ocidente ter ignorado, durante anos, os interesses legítimos de segurança de Moscou e de suas políticas voltadas para criar ameaças ao país mediante o avanço do bloco da OTAN em direção às fronteiras russas.
