Cartéis mexicanos transformam drones agrícolas em arma de guerra

Organizações criminosas usam drones para vigilância, ataques a rivais e combate a forças de segurança. Apreensões bateram recorde com 208 unidades em dois anos.

Os cartéis mexicanos usam cada vez mais drones para realizar tarefas de vigilância, atacar grupos rivais, combater as forças de segurança e militares e até para monitorar cultivos ilícitos. A informação foi revelada pelo jornal El Universal, nesta sexta-feira (2), numa extensa investigação.

De acordo com a reportagem, a Secretaria da Defesa Nacional (Sedena) apreendeu 208 drones nos últimos dois anos: 139 em 2025 e 69 até setembro de 2026, o que representa números recordes.

A análise dos dados verifica que Sinaloa, berço do Cartel de Sinaloa, uma das organizações criminosas mais poderosas do país, lidera as apreensões com 66 drones. Seguem-se Tamaulipas (34) e Michoacán (28). Entre os grupos que usam esses dispositivos eletrônicos também estão o Cartel Jalisco Nueva Generación, Los Viagras e Los Caballeros Templarios.

Consultores de segurança nacional e especialistas no Sistema de Aeronave Não Tripulada (UAV) explicaram que essas apreensões demonstram a "capacidade de fogo" e a inovação do crime organizado, que adquire drones agrícolas ou industriais para fumigar e dispersar sementes ou fertilizantes.

Além disso, se antes usavam "falcões", como denominavam as pessoas que vigiavam de maneira pessoal determinadas zonas, agora contratam "droneiros" que operam esses aparelhos a longa distância não apenas para espionar, mas para carregá-los com explosivos. De fato, já houve vários casos de militares mortos ou feridos pelo uso de drones por parte do crime organizado.

Os especialistas advertiram que os drones agrícolas são úteis para os cartéis porque são ferramentas de baixo custo, difíceis de detectar ou inibir, além de que ainda há lacunas legais sobre sua venda e regulação de uso.