A empresa brasileira Visiona anunciou na quarta-feira (30) que pretende buscar recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para iniciar o desenvolvimento tecnológico e uma constelação-piloto do BRASSAT, projeto de infraestrutura espacial de uso civil e militar.
A proposta apresentada pela companhia prevê 44 satélites, divididos entre comunicação, coleta de dados e observação da Terra.
O anúncio foi feito pelo presidente da Visiona, João Paulo Campos, durante o Congresso Latino-Americano de Satélites, realizado no Rio de Janeiro. Segundo ele, o financiamento público seria necessário para reduzir os riscos tecnológicos da primeira etapa e permitir a participação posterior de outros parceiros.
Na configuração apresentada pela empresa, 24 satélites serão destinados à comunicação e à coleta de dados, inclusive para aplicações de Internet das Coisas (IoT).
Outros 16 serão empregados no monitoramento sistemático do território, com previsão de cobertura de todo o país a cada cinco dias e resolução de 2,5 metros. Os quatro restantes serão voltados ao monitoramento de áreas específicas em alta resolução.
Empresa pública
A Visiona é uma joint venture entre Embraer Defesa & Segurança e Telebras e atua na integração de sistemas espaciais, montagem e testes de satélites e serviços de sensoriamento remoto e telecomunicações. A empresa é responsável pelo desenvolvimento do projeto de satélite de observação da Terra de ultra-alta resolução com participação de empresas e instituições científicas brasileiras.
O BRASSAT já integra discussões do governo federal sobre o desenvolvimento da indústria espacial. Documento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) classificou a constelação como projeto de grande potencial mobilizador, tanto pelo estímulo à indústria nacional de satélites quanto pela criação de aplicações e serviços baseados em dados espaciais.
Em documento da Agência Espacial Brasileira (AEB), o projeto também aparece entre as iniciativas nacionais em desenvolvimento. A agência registrou a existência de sinergias entre o BRASSAT e outras propostas de ampliação da infraestrutura brasileira para observação da Terra.
Constelação de Estado
O executivo da Visiona afirmou que o BRASSAT deve funcionar como uma "constelação de Estado", com dados disponibilizados a preços baixos ou, quando possível, gratuitamente. Segundo a empresa, o projeto poderia gerar até R$ 200 bilhões anuais em riqueza, considerando efeitos diretos e indiretos do uso de tecnologias espaciais — uma estimativa da própria companhia.