
Rússia explica seu alerta nuclear contra OTAN

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, explicou nesta quinta-feira (1) o aviso de Moscou à OTAN caso a aliança tente impor um bloqueio aéreo ou naval a Kaliningrado.

Em relação às alusões a "qualquer tipo de ameaça" por parte da Rússia, indicou que elas "são absolutamente inapropriadas".
O porta-voz observou que a doutrina militar da Rússia "estipula claramente as modalidades e condições para o uso de um ou outro tipo de armamento" e enfatizou que todo o seu uso "está subordinado a um único objetivo: a defesa da integridade territorial e da própria existência do Estado russo".
"Em outras palavras, se ninguém na Europa ou na OTAN pretende nos ameaçar, então não têm motivos para se preocupar", declarou.
Referindo-se às declarações feitas por líderes europeus, imersos em"histeria anti-Rússia", sobre "qualquer tipo de ameaça" vinda de Moscou, ele indicou que "elas são absolutamente inapropriadas". Peskov já havia enfatizado que o alerta não deve ser interpretado como uma postura de confronto.
Aviso da Rússia
Na quarta-feira (30), o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, confirmou que o bloco militar recebeu um aviso de Moscou de que está preparado para usar todo o seu arsenal, incluindo armas nucleares, caso haja uma tentativa de impor um bloqueio aéreo ou naval a Kaliningrado.
A Reuters informou que, na carta, Moscou acusou a aliança de embarcar em um "curso perigoso e imprudente" que acarreta "altos riscos de eclosão de um conflito armado direto".
Anteriormente, foi noticiado que as embaixadas da Rússia na Bélgica, no Reino Unido e na Irlanda alertaram recentemente a OTAN sobre a possível resposta de Moscou a qualquer tentativa de afetar Kaliningrado, situado na costa do Mar Báltico, entre a Polônia e a Lituânia. Elas ressaltaram que o lado russo está disposto a utilizar todo o seu arsenal, inclusive armas nucleares, caso forças europeias tentem bloquear o enclave.
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Foi nesse contexto que Peskov aconselhou os políticos europeus a estudarem os documentos doutrinários da Rússia antes de empreenderem qualquer ação agressiva contra Kaliningrado.
"Ouvimos repetidamente declarações provenientes da Polônia e de outros países europeus — declarações bastante desequilibradas — nas quais também se abordava a questão de Kaliningrado. Por isso, é perfeitamente natural que nossos diplomatas tentem lembrar aos 'cabeças quentes' na Europa quais são os nossos documentos doutrinários a esse respeito", disse ele aos jornalistas.
- A doutrina nuclear da Rússia define o uso de armas nucleares como uma medida excepcional para proteger a soberania do país. Entre as principais condições que determinam a possibilidade de uso desse tipo de armamento estão: o recebimento de informações confiáveis sobre o lançamento de mísseis balísticos dirigidos contra os territórios da Rússia e/ou de seus aliados; o emprego, por parte de um adversário, de armas nucleares ou outros tipos de armas de destruição em massa contra os territórios russo e/ou de seus aliados, bem como contra formações e instalações militares russas situadas fora de seu território; e ações de um adversário contra instalações estatais ou militares críticas da Rússia, cuja inutilização prejudicaria as ações de retaliação das forças nucleares, entre outras.
- O presidente Vladimir Putin destacou, em mais de uma ocasião, que a Rússia não utiliza armas nucleares como ameaça nem planeja ser a primeira a empregá-las. "Não somos loucos; temos consciência do que as armas nucleares representam... Não vamos brandi-las como uma navalha, correndo pelo mundo, mas certamente partimos do princípio de que elas existem: são um fator de dissuasão natural", explicou o mandatário em 2022.
- Neste ano, o chefe de Estado russo afirmou que o uso de armas nucleares é uma medida "excepcional" e "extrema" para garantir a segurança nacional de seu país.

