EUA, Peru, Argentina e Chile fazem exercício militar conjunto na Amazônia peruana

Quase 400 militares participaram de treinamento de selva voltado à interoperabilidade, prontidão e operações combinadas.

Quase 400 militares dos Estados Unidos, Peru, Argentina e Chile participaram do Southern Vanguard 2026, exercício multinacional realizado na Amazônia peruana entre 7 e 18 de setembro. As tropas treinaram sobrevivência, deslocamento e operações militares em ambiente de selva. A informação foi publicada nesta quarta-feira (30) pela imprensa especializada.

Esta foi a primeira vez que o Peru recebeu o Southern Vanguard. O exercício foi conduzido pelo Exército peruano em coordenação com estruturas militares dos Estados Unidos, voltadas a operações e cooperação militar no continente.

Na primeira fase, grupos multinacionais receberam treinamento em técnicas de operações na selva, incluindo natação, operações aquáticas, sobrevivência e deslocamento pela floresta. Depois, as equipes participaram de um exercício de campo de três dias com problemas táticos em terreno amazônico.

Segundo o Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), os objetivos oficiais eram ampliar a interoperabilidade e a prontidão militar. O treinamento incluiu planejamento de operações combinadas, coordenação de manobras e a formação de uma força-tarefa conjunta liderada pelo Peru.

Estratégia regional

O exercício ocorreu em um momento em que Washington passou a usar com maior frequência a expressão"Hemisfério Ocidental" em documentos e estruturas militares. Entre as prioridades divulgadas pelo SOUTHCOM estão: fortalecer o comando e controle hemisférico, enfrentar organizações classificadas pelos EUA como terroristas e proteger áreas consideradas estratégicas.

A Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos de 2025 também dedicou uma seção ao Hemisfério Ocidental. O documento estabelece como objetivo recuperar a preeminência norte-americana na região e impedir que competidores externos posicionem forças ou assumam o controle de ativos classificados por Washington como estrategicamente vitais.

No ambiente amazônico, parte central da preparação ficou a cargo do Exército peruano. Os participantes treinaram na Escuela de Selva com militares do Peru familiarizados com o terreno, enquanto instrutores do 551st Infantry Regiment, dos Estados Unidos, também participaram das atividades.

A edição de 2026 também mudou radicalmente o ambiente do treinamento em relação ao exercício anterior, realizado nas montanhas dos Andes chilenos. Desta vez, a preparação ocorreu em floresta tropical, obrigando as tropas a adaptar equipamentos, logística e planejamento às novas condições.