
País da OTAN que faz fronteira com a Rússia poderá receber armas nucleares, diz presidente

A Letônia poderá receber armas nucleares em seu território caso haja necessidade e uma decisão coletiva da OTAN, afirmou nesta quarta-feira (30) o presidente do país, Edgars Rinkēvičs. Segundo ele, não há negociações concretas sobre a instalação desse tipo de armamento no momento.
"Se houver essa necessidade e se houver uma decisão coletiva da OTAN, armas nucleares serão instaladas na Letônia", declarou Rinkēvičs a jornalistas.

O presidente disse que a Constituição do país não estabelece uma proibição desse tipo. "Não temos obstáculos juridicamente estabelecidos em nossas leis para a instalação de armas nucleares na Letônia", esclareceu .
Rinkēvičs afirmou ainda que, em 2003, durante os preparativos para a entrada do país na OTAN, cada Estado teria confirmado que não imporia restrições à aplicação integral dos mecanismos de segurança coletiva da aliança, incluindo a participação no sistema de dissuasão nuclear.
Ao comentar o papel desse tipo de armamento, o presidente avaliou que, sem a proteção nuclear, várias guerras convencionais já teriam se espalhado pela Europa. Segundo ele, o uso de armas nucleares representa uma medida extrema, mas serve para dissuadir ações imprevisíveis ou de grande escala.
Rinkēvičs acrescentou que a Letôniajá está sob o "guarda-chuva nuclear" da OTAN, garantido pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, e afirmou que o país vê de forma positiva medidas adicionais de segurança dentro da política da aliança.
Posição russa
Moscou já havia se manifestado contra movimentos semelhantes em outro país báltico. Em julho, ao comentar uma proposta para permitir a instalação de armas nucleares na Lituânia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que medidas desse tipo não aumentariam a segurança desses países.
Em setembro, diante da possibilidade de a Lituânia retirar de sua Constituição a proibição de armas nucleares, Peskov afirmou que a eventual instalação desse tipo de armamento representaria uma grave escalada das tensões. Segundo ele, caso armas nucleares apontadas para a Rússia fossem posicionadas no território lituano, o país também entraria na mira do arsenal nuclear russo.

